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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Entrevista com um fetichista de peidos.


Texto publicado originalmente pela VICE México.
por: Diego Urdaneta

Num livro publicado em 2009, Anil Aggrawawal identificou 547 parafilias sexuais. Parafilia é a atração sexual por objetos, situações ou indivíduos atípicos. Lendo essa lista, uma parafilia me chamou muito a atenção: a eproctofilia, que consiste na atração sexual pelo cheiro de peidos. Mark. D. Griffiths, um cara muito mais inteligente do que eu, fez o primeiro estudo acadêmico sobre um caso de eproctofilia. O nome do indivíduo era “Brad”, um solteiro de 22 anos que morava em Illinois, EUA. Mas procurando no Facebook, encontrei uma fan page de eproctofilia e entrei em contato com o Ariel, o administrador da página, que me contou sobre seu fetiche por peidos.


VICE: Você se excita quando ouve o peido de qualquer pessoa?
Ariel:
 Quando uma pessoa qualquer solta um peido, eu não sinto nada. Para eu me excitar ou ativar a minha tara, o peido tem que sair de alguém que eu goste ou me sinta atraído. Mas também não é uma coisa constante, é como qualquer outra prática da vida sexual.

Quando você percebeu que os peidos dos seus parceiros sexuais te deixavam excitado?
Eu sinto esse prazer desde que era criança. Lembro que um dia eu estava brincando no meu quarto, chegou um tio, colocou a bunda na minha cara e soltou o maior peido. Eu chorei porque não gostei da brincadeira, mas com o tempo percebi que gostaria que fizessem aquilo comigo de novo. Eu dava um jeito de fazer os meus amigos da escola peidarem em mim. Era mais pela graça da coisa e tal, mas com o tempo comecei a fantasiar sobre isso. Eu acabei incorporando isso na minha vida, mas, claro, é um tabu bem grande, então nem todo mundo topa essas fantasias. As pessoas de cabeça mais aberta sim, mas eu sinto mais tesão quando rola de forma natural, sem que eu tenha que pedir. Foi assim que começou o meu gosto pela coisa, não foi com parceiros sexuais. É uma coisa que eu sinto desde pequeno.

Você entra em êxtase com os seus próprios peidos? Ou têm que ser de outra pessoa?
Em geral não, exceto quando eles fazem muito barulho ou são bem longos. O conceito da eproctofilia só contempla o cheiro, mas não é bem assim, eu também me excito muito com o som. Então pode ser que, em algum momento, eu tenha soltado um peido muito barulhento e ficado excitado. Mas isso deve ter acontecido três ou quatro vezes em toda a minha vida. Eu prefiro que sejam de outra pessoa, obviamente.

Quando foi a primeira vez que você praticou a eproctofilia sexualmente? Qual foi a reação do seu parceiro?

Eu demorei muito tempo para contar para o meu namorado, porque tinha vergonha. Mas confiei que o tempo é capaz de abrir as mentes e as experiências sexuais. Eu sempre me lembro de uma coisa que o meu professor de sexualidade da faculdade costumava dizer: “A sexualidade está na nossa cabeça e, sem desrespeitar ninguém, desde que seja consensual, tudo é válido”. A mentalidade vai mudando com o tempo. Meu namorado era muito peidorreiro e eu morria de vergonha, mas um dia estávamos um pouco bêbados e eu contei para ele enquanto transávamos. E aí, bom, ele peidou e desde então se tornou uma coisa comum.


Você se lembra de algum peido específico que tenha te excitado muito? Poderia descrever a cena?
Sim, muitos. Por exemplo: ontem, combinei de tomar uma cerveja com um cara e, quando estávamos caminhando sozinhos pela rua (ele sabe que eu curto peidos), ele disse: “Com licença” e soltou o maior peido. Foi uma cena muito excitante.

Peidos vaginais contam como peidos que te deixam excitado?
Imagino que deve ter gente que gosta. Nós somos 7,5 bilhões de humanos, isso significa que existem, no mínimo, 7,5 bilhões de fantasias. Mas eu sou homossexual, nunca tive contato com vaginas.

Como vocês fazem para o seu namorado peidar em pleno ato sexual, já que é uma coisa que normalmente acontece de forma espontânea?
Quando a pessoa é peidorreira, ela peida quando quer, é como arrotar. Eu conheci um mundo a partir disso, tem gente que solta um peido a cada 15 minutos. Se a transa durar mais de uma hora, ou até 30 minutos, é provável que role um.

Então o que mais te deixa excitado é o som, não o cheiro? Como você define um bom peido? O que um peido precisa ter para te excitar ao máximo?
Um barulho alto e longo me deixa excitado. Definiria um bom peido como sendo aquele que é barulhento, longo e não fede. Quanto ao tesão, bom, eu fico excitado de pensar que a pessoa está cheia de ar e que isso a incomoda, que ela passou um tempão aguentando e de repente solta. É tudo muito forte!

Como você definiria a combinação perfeita para um bom peido? Que comidas e bebidas você diria que são necessárias?
Se quero que sejam só gás, acho que o melhor são as bebidas gaseificadas. Mas para cada pessoa funciona uma coisa diferente.

Você peida quando se masturba?
Não é comum, mas já aconteceu e não é nada desagradável.

Já voltaram a colocar a bunda na sua cara para peidar em você?
Sim, claro, algumas vezes.

E o que você sente? Você fica lá com a cara e o nariz?
Não sinto nada especial. Para mim tanto faz se for de perto ou de longe, o que eu quero é ouvir o barulho. Mas, bom, não gosto tanto de levar um assim, em primeiro plano, no nariz, porque nem sempre o cheiro é bom.

De que tipo de pessoa saem os melhores peidos? Por exemplo: pessoas grandes com a bunda grande ou pessoas pequenas com a bunda pequena?
Eu gosto de gordinhos, com uma bunda mais ou menos grandinha e com um pouco de barriga também.

Você já consultou um médico sobre a eproctofilia?
Não. Eu sou doutor em ciências de educação e não acho que haja nada de negativo sobre o meu fetiche. Sou muito cuidadoso e respeitoso com o assunto. Ao mesmo tempo, acredito que todo ser humano fantasia com algum tipo de “filia” que lhe dá prazer. Tenho amigos que se dedicam ao trabalho sexual e as coisas que eles contam são espetaculares, principalmente sobre pessoas mais rígidas socialmente: casadas, com filhos e filhas; eles pagam um homem para criar situações inimagináveis com ele. Nós temos que escancarar e erradicar o tabu sexual. Até pouco tempo atrás, uma mulher não praticava sexo oral em seu marido, e ele não explorava seu clitóris. Aos poucos, nós avançamos, mas muitas práticas sexuais ainda são feitas às escondidas. Se todos nós fôssemos mais abertos, haveria muito menos abusos a outras pessoas.

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