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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Fui pela primeira vez em um psicanalista sexólogo, para falar sobre os meus fetiches.


- Leia uma sessão de terapia que muitos de nós não têm a coragem de fazer, por vergonha.



por Gustavo Scat (Loiroomegle)

Eu acordei destinado a procurar um psicanalista sexólogo para relatar sobre os meus fetiches.
Talvez pela empolgação de ter o blog há tanto tempo e estar completamente ligado ao assunto.

Eu preciso me conhecer mais. E pra isso, é preciso ouvir também. E não apenas "dizer o que pensa".

Faço terapia já há algum tempo, mas eu nunca tive coragem de contar sobre os meus desejos sexuais excêntricos. Nunca nem chegamos a tocar nesse assunto.

Como eu tinha um sentimento de "dever comigo mesmo" em abordar pessoalmente este assunto com alguém - já que eu falo a respeito na internet e apenas tenho embasamento do que leio por aí...
"Porque não" procurar um profissional especificamente para tratar estes assuntos?


Eu estava nervoso. Talvez a palavra certa seria: ansioso.
Eu não sabia direito se tinha escolhido a pessoa certa e coisas do tipo, muito menos se seria algo tranquilo e fluído.

Eu havia marcado a consulta dias antes. Não sabia como ele iria reagir, não sabia como eu reagiria... E o maior medo era ouvir algo como "Sim, você é doente".

Tive uma ideia.
Coloquei o celular pra gravar o áudio da sessão de terapia, do inicio ao fim.

Como eu gravei toda a psicanálise que eu tive presencialmente, estou escutando o áudio e digitando nossa conversa como foi de fato. Nas mesmas palavras. Ipsis Litteris.

Não recomendo que façam o mesmo (gravar a consulta). O nome do profissional foi alterado.


-


Dia 18 de outubro de 2019.

Estou sentado na sala de espera. Já havia passado 9 minutos do horário marcado (11hrs da manhã)
e isso me deixava cada vez mais tenso. "Será que estou fazendo a coisa certa?"

Marcelo: Vamos lá?

Eu: Vamos.

Marcelo: Fique a vontade...


Entramos na sala, ele fecha a porta e tenta descontrair um pouco para me deixar mais a vontade.


Marcelo: Foi fácil de achar? (o lugar)

Eu: Foi sim, foi "de boa". Posso deixar as minhas coisas aqui no canto?
(Me referindo a carteira e meu celular, que estava gravando todo o áudio).

Marcelo: Pode, fique a vontade. E você mora a onde?

Eu: Moro em ______

Marcelo: ______city?
(Ele brinca com o nome de onde eu moro, fazendo um trocadilho.)

Eu: É! Não é tão longe...

Marcelo: É.... não é tão longe mas não é tão perto assim. (risos)

Eu:
 Boa... Cara, você não tem noção do quanto eu tô nervoso.

Marcelo: É?

Eu: Nossa... sim.

Marcelo: Então fica calmo...

Eu: Vamos lá.

É.... Eu fiquei pensando comigo mesmo... Eu não sei nem se você é a "pessoa certa"... quem eu deveria procurar, enfim... Você é sexólogo?...

Marcelo: Sou psicanalista, sexólogo. E aqui nós temos uma escola de formação de psicanalistas e sexólogos, e eu sou o diretor da escola.

Eu: Tá.

Marcelo: Se eu não puder te ajudar, eu vou dizer quem pode! (risos)

Eu: Boa. (risos)

Marcelo: O que é que está te deixando tão nervoso?

Eu: É... O meu assunto é relacionado a fetiches. Eu tenho fetiches extremamente diferentes, é algo que eu já lido há algum tempo, não é um "problema" pra mim... Era um problema de auto-aceitação talvez,  mas com o tempo eu fui meio que me descobrindo e me aceitando.

Eu tenho até um blog sobre, é algo que eu escrevo meio que pra tentar me entender...
Só que eu precisava um dia conversar com um profissional para: ouvir... o outro lado.

Eu tenho fetiche por cocô, xixi, peido e cuspe.

Marcelo: Uhum...

Eu: São coisas muito diferentes... eu sei disso. É uma coisa que, eu "acho" que eu sei as minhas origens. Meio que eu tentei "me estudar" digamos assim, sabe? Por que não é uma coisa fácil de se entender e de se conhecer... de se aceitar...

E é muito difícil até falar sobre com alguém assim, é a primeira vez que isso acontece.

Marcelo: (concordando com a cabeça)

Eu: Eu queria te ouvir se isso é "uma ideia muito absurda", o quão isso é diferente ou não. E tentar me entender um pouco melhor.

03min de sessão.

Marcelo: Você tem quantos anos?

Eu: 26.

Marcelo: Sempre teve esse fetiche?

Eu: Cara... é algo que vem desde a infância.

Marcelo: Você fica excitado?...

Eu: Sim. Mas não é por qualquer situação.

Marcelo: Por exemplo?

Eu: É em situações onde eu sinta tesão... Digamos que só em situações envolvendo relação sexual.
Não vou em banheiro público e fico excitado, por exemplo.

Marcelo: Tá, mas é com alguém que você já tem intimidade?

Eu: É! Ou vendo vídeos. Eu vejo vídeos e me excito, e já tive experiências comigo mesmo... Mas é uma coisa que veio assim: Desde criança eu tinha curiosidade, eu tenho talvez na minha cabeça o "porque" de tudo isso, e eu até queria entender se isso tem alguma relação.

E aí com os meus 16 anos, com a era da internet que eu fui conhecer e ver que existem outras pessoas que gostam também. Aí durante todos esses anos eu meio que fui assistindo esses vídeos e vendo que eu realmente gostava, até eu entender que eu realmente gostava disso mesmo.

Era difícil pra eu "me assumir" que eu gosto. Era um preconceito gigantesco que eu tinha comigo mesmo, obvio.

Até um ponto que "beleza", eu pesquisei realmente sobre o assunto, faz dois anos que eu tenho um blog sobre o assunto e como eu pesquiso coisas para o blog... até coisas de psicologia mesmo, pra tentar entender o meu "porque".

E é meio que isso.

Marcelo: Como é que é a sua vida sexual?

Eu: Fora os fetiches?

Marcelo: Sim...

Eu: Eu tive um "traumazinho bobo" quando eu fui ter a minha primeira relação...
Foi com uma menina há uns anos atrás, eu tinha meus 16 anos e foi uma coisa muito superficial.

Eu só queria perder a virgindade.
A gente foi fazer, não estávamos íntimos...

E aí não rolou.
A gente até que tentou mas não deu mais certo.

E desde então........

Marcelo: Você ficou muito nervoso?

Eu: Muito.

Marcelo: Beleza. Então vamos tentar.... vamos ajudar.

O que você demonstra é um tipo de traço neurótico. Tá?
O que é "traço neurótico"? Bom...

Eu sou psicanalista então eu sou da linha Freudiana, que é a linha que mudou o conceito de sexualidade no mundo.

Tudo o que a gente pensa de sexualidade é freudiano, hoje.
Palavras como "libido", palavras como "tesão"... Tudo isso aí é do Freud.

Eu: Tá...

Marcelo: Você tem outros autores na psicanalise, por exemplo o Wilhelm Reich que fala sobre a importância do orgasmo na construção da sexualidade e tal, e assim por diante.

Tudo bem. Aí o Freud vai dizer, que a vida sexual é formada na infância.
Por isso que o pessoal massacrou ele, já que ele dizia que criança tinha sexualidade.

Mas ele dizia, que a vida sexual é construída.

Então ele falava sobre as fases psico-sexuais, que é aquilo que a gente aprende na escola:
Fase Oral, Fase Anal, Fase Fálica... é dele.

Então ele diz que a gente tem uma energia no inconsciente, que nos empurra pro prazer.
Essa energia é: Libido.

O libido, que o pessoal chama de "tesão", ele diz que é pra tudo.
Que essa é a energia da vida. Que é a energia de felicidade.
Então quem não é feliz, tem pouca energia de libido.

Entendeu?

Eu: Tá...

Marcelo: Esse libido é por exemplo:
Ah, quando eu estou lá comendo uma comida que eu gosto, e eu tive uma reação de
"NOSSA como isso foi bom..."
Freud diz que você está 'gozando', comendo. 

Ele usa essa linguagem sexual pra coisas não sexuais.

Ele diz que o gozo nada mais é do que o orgasmo como uma descarga de desprazer.
Então ele começa a falar sobre uma teoria do prazer e o desprazer....

Ele diz que ter orgasmo, é mais ou menos como tirar um sapato apertado.


Marcelo: Sabe quando você tira o sapato apertado depois de três horas com ele e diz:
ai ai ai ai ai....... ui ui... ai que delícia............

Então... ele diz que o orgasmo é isso. Você junta uma energia de inquietação, e descarrega tudo de uma vez.

Ele fala que ejaculação é fisiológica. Orgasmo é psicológico, é da cabeça.Tá?
Então você pode ter um orgasmo poderoso ou não.

Aí ele diz que isso é construído nas fases da vida

Primeira fase: Fase Oral.
A criança tem prazer em sugar.

Então ele diz que até os 3 meses a necessidade é orgânica, mas depois de 3 meses o bebê fica "pepetando" o peito da mãe, ou se não a gente dá chupeta...
E ele mama assim ó: "(barulho de mamando, seguido de prazer)  HMMM"

Freud diz que esse " HMMM" que a criança faz é o inicio da construção psíquica do orgasmo.
Em outras palavras: Ele está tendo um orgasmo.

O órgão sexual ele diz que é a boca. A criança leva tudo na boca.
E nessa fase a gente começa a construir o recalque. Que é uma adaptação dessa sexualidade a sociedade: O que é socialmente permitido ou não.

Eu: Tá...

Marcelo: Então por exemplo, a criança leva tudo na boca. Então ele diz que tudo que a criança leva na boca é um objeto de desejo, é um objeto libidinoso.

Entendeu?

Eu: Ahan.

Marcelo: E o órgão sexual é a boca.

Então ele diz que a criança pega e leva tudo na boca por que ele deseja.
E aí os pais fazem assim... A criança põe algo na boca e os pais gritam:
"NÃO! TIRA DA BOCA! CACA!"

Então ele diz que você vai construindo o recalque, por que você constrói na psiquê que "eu não posso ter o objeto que eu desejo".

Deu pra entender?

Eu: Ahan!....

Marcelo: Doido né? (risos)

Eu: Sim mas eu acho interessante pra caramba. (risos)

Marcelo: Aí ele diz que toda fase tem uma satisfação e uma frustração.
O pai e a mãe tem que dar a satisfação para trabalhar a frustração.

O que que é a satisfação?: Sugar.
Ter necessidade de sugar.

E a frustração: Nem tudo eu posso sugar.

Como é que a gente lida? Por substituição.
Chupa a chupeta, chupa o mordedor...

Quando você não suga o suficientemente, o libido ele fica meio tóxico, e você tem as fixações.

Então todas as fixações, todas as obsessões pela boca são fixações na fase oral.
Então tipo: Comer demais, beber demais, sexo oral demais, beijar demais... falar demais.
Essas são todas fixações pela boca.

Tá?

Eu: Uhum.

Marcelo: Aí ele diz que o libido transita no corpo, e o libido sai dessa fase e vai para a fase anal.
Que é a onde o prazer fica nos esfíncteres, que são os músculos que controlam as fezes.

Então o Freud pesquisando isso lá trás... Diz que a criança quando vai evacuar ela até "some".
Aquilo pra ela é o ritual dela. E ela fica ali abaixadinha... segurando o cocô e expele.

Quando expele o cocô, você olha na criança e ela fica inteirinha arrepiada. Então ela tem um prazer nisso. Aí é então quando a criança começa a ter domínio corporal.
Então ela retem as fezes... e expele as fezes.

E daí ela tem qualquer satisfação em expelir as fezes.

Nessa fase, que é a fase do desfralde, você também produz recalque.
Como é que produz o recalque?
Quando a criança faz o primeiro cocô, ele é a sua primeira produção da vida.
Ou seja, ela entende que aquelas fezes é ELA. "Ela e as fezes são a mesma coisa".

Deu pra entender?

Eu: Uhum!

Marcelo: Então tanto que a criança faz as fezes, a mãe vai jogar fora e ela fica brava.
"NÃO! Deixa eu ver, deixa eu ver!..."
E tem mãe que joga fora pela descarga e diz "Tchau cocô! Tchau cocô!..."

As fezes pra criança não tem cheiro ruim.

14min e 19seg de sessão.

Marcelo: A criança pega as fezes e faz isso aqui... (movimento passando a mão no rosto)
E faz isso aqui!: (movimento levando a mão pra boca).

Isso não é ruim pra criança.

A gente codifica que é ruim, por causa dos adultos.
Os adultos ficam falando "Ai... caca e tal.."

E aí como é que se produz recalque? Quando a criança faz o cocô e você diz:
"hm, cagão!" "nossa! que cheiro ruim!" "nossa, credo... peidou!..."

Aí então a criança pensa assim:
"Cara... eu sou fedido. E eu cheiro mal porque isso aí saiu de mim."
E como ela liga esse pensamento a ela, aí você vai danificando a autoestima. Entendeu?

Eu: Sim! (risos)

Marcelo: (risos)

Fixações nessa fase: É... pensamentos.... O toque.
Transtorno obsessivo compulsivo. E pensamentos de obsessão, são fixações dessa fase.

Por que é uma fase que se caracteriza por um domínio corporal.
Então pode ser fixações de ventre, pode ser fixações de pessoas que tem apego e não conseguem se desfazer das coisas. A maioria dos acumuladores são fixações na fase anal.

Nessa fase a mãe ensina o desfralde, e a mãe fica pedindo:
"faz cocô no vaso" "faz cocô no peniquinho"...

Não é assim?

Eu: Uhum...

Marcelo: E aí o menino saca, ou a menina saca, que pra agradar a mãe "ele" tem que fazer cocô no peniquinho.

Beleza?

Eu: Uhum.

Marcelo: Aí, significa que as fezes são um presente. Deu pra entender?

Eu: Uhum.

Marcelo: As fezes é uma doação.
Então: "ah, você quer que eu faça cocô no peniquinho? então como eu tô 'de boa' com você, como a gente se ama, como eu quero te agradar eu vou te dar um presente. óh! olha o presente que eu to te dando: cocô pra você."

(risos)

Deu pra entender?

As fezes é um presente. É uma dádiva da criança.

Tanto que quando a criança tá brigada com a mãe, ou tá infeliz ou tem alguma coisa... e ela já tá fazendo cocôzinho, ela faz na calça. Como se ela dissesse assim: "você não merece".

Entendeu? (risos) Doido né?...

Eu: Ahan! (risos)

Marcelo: Aí quem é formado em psicanálise, e eu tenho essa visão, quando a criança faz cocô e chega a avó, ou chega o adulto e diz: "nossa..... que fedô!"

Eu:  "Não, parou! Filho, não é fedo não tá? Você é lindo, você é maravilhoso, tá tudo bem".

Entendeu? Olha que coisa... diferente.

Como a criança tem o prazer em manipular as vezes, pra compensar isso já que a nossa sociedade não se adapta a isso.... a gente usa a massinha.

A massinha de modelar que a gente dá pras crianças no jardim de infância é um substituto das fezes.
Ela tem a mesma textura.

Eu: Ela é feita pra isso mesmo?

Marcelo: Ela é feita de uma forma pedagógica. Psicologicamente, ela substitui as fezes.

Eu: Caramba...

Marcelo: Se não tivesse massinha, na época das cavernas... (risos)
A criança fazia cocô, pegava ali, misturava com terra e ficava inventando...

Então a massinha de modelar é a mesma textura das fezes.


Marcelo: Ham... outra fixação na fase anal é a pintura.
A pintura é a mesma textura parecida das fezes.

O Freud vai dizer que não tem nenhum problema. Não tá nada errado. Que é coisa da natureza.

Então o que que o Freud faz... o Freud todo mundo pensa que ele é psiquiatra, né?
Ele é médico, só que ele é neurologista. (risos) - Nada haver né?

Então o que ele faz, ele pega a ciência que ele tem, que é a biologia, e ele vê o ser humano sobre a lente da biologia. Quando ele olha sobre a lente da biologia ele suspende: a educação, religião, moral, certo e errado... Ele tá tentando nos ver como animais.

Então ele não acredita que tem a "natureza do homem", ele acredita que o homem está na natureza.

Eu: Tá...

Marcelo: Aí o libido sai, de dois a três anos, sai da fase anal e a partir do terceiro ano ela vai pra fase fálica. O libido vai para os órgãos sexuais.

Então o menininho fica se masturbando com a mãozinha no pipi e a menina fica com o estimulo clitoriano também. Nessa fase é que ele descobre o que é ser homem, o que que é ser mulher.

Então a criança não tem nenhuma visão de sexo, mas tem visão de sexualidade.

"Ele" percebe: "pô, eu mexo no meu dedo e meu dedo não fica duro, mas eu mexo no pipi e meu pipi fica duro... então esse negócio não é igual o dedo! É diferente!"... (risos)

Então a criança" tem ali uma atração pelos órgãos sexuais. O Freud chama isso de Falo.

Porque ele diz que nessa fase, os órgãos sexuais simbolizam na estrutura da psiquê.

Vamos lá...

O fetiches, é a simbologia dos órgãos sexuais do falo, em um objeto.

Então por exemplo: As fezes, ou essas coisas que você citou, na simbologia, tem o mesmo valor que o órgão sexual.

Eu: Como?... ou porque?

Marcelo: Esse processo é inconsciente.

Eu: Tá...

Marcelo: Pode ser várias coisas, exemplo: Pode se juntar com uma fixação na fase anal, tipo a simbologia de expelir as fezes nesta fase... Lembra que eu falei que as fezes são um presente?...

Eu: Sim...

Marcelo: (risos) A gente não pode pensar como um adulto, a gente tem que pensar como uma criancinha. Aí junta com essa fase (fálica) e aí simboliza-se. Entendeu?

E aí pode ser chicotinho... pode ser....
Tem homem que tem fetiche por pé... E tudo tem uma explicação.
Por exemplo, nessa fase fálica o Freud fala até da teoria mais importante dele que é o Complexo de Édipo. Onde a criança tem três fantasia básicas, que ele chama.

Primeiro a fantasia da castração: Porque o menino descobre que é menino e "ela" é menina.
- "eu tenho pinto e ela não tem pinto. se eu tenho e ela não tem é por que o dela foi cortado".

Entendeu?

- "e se cortaram o dela, podem cortar o meu"

Aí dá a origem a todas as taras ligadas a sadomasoquismo.

Eu: Tá.

Marcelo: Aí você tem a segunda fantasia básica, que ele diz que é a sedução da criança por um adulto. Por que o adulto age com a criança de forma sedutória.

(barulhos de adulto brincando com criança, fazendo caretas, mostrando a língua...)

Isso é uma sedução. (risos)

Então a criança também age com o adulto de forma sedutória.
Que vai dar a origem a todas as fantasias ligadas a posição social:
É o professor e a aluna, é a médica e o paciente... sabe essa coisa de "maior e menor"?...

Eu: Sei, sei!...

Marcelo: Olha aí... interessante?

Eu: Aham...

Marcelo: A terceira, ele diz que é a fantasia da sedução da criança por um dos pais, ou pelos dois pais.

A mulher idealizada, no caso da heterosexualidade, pro menino é a mãe.
É a mulher idealizada.

Então ele diz que isso vai simbolizar.
Então exemplo: Fetiche por pé. É um fetiche masculino. Difícil você achar uma mulher que tem esse fetiche.

O menininho de três aninhos dessa alturinha (mostra a altura pequena), apaixonado pela mãe por que é um complexo de édipo, é uma paixão pela mãe no caso da heterosexualidade.
Olhando reto, o que que ele olha? O pé da mãe. Aí se da a origem a podolatria (fetiche por pés) que eles chamam, né?

Aí você tem vários fetiches... Por exemplo, você tem o fetiche que é o travestismo que, por exemplo, quando você se excita quando veste uma roupa ou quando alguém veste uma roupa.

Eu: Sim sim... Tudo isso que você me falou é muito louco, porque eu sou uma pessoa muito curiosa, gosto de me entender.

É... A teoria "das fases" eu já li algo a respeito, inclusive já escrevi sobre isso. E inclusive eu já até escrevi um texto do por que eu acho que eu curto tudo isso.

Uma das coisas, além disso tudo, é que eu acho que eu fiz uma associação.
E aí eu queria que você me dissesse se isso faz sentido ou não.

Eu tenho uma lembrança, que eu era muito pequeno, e devia ter uns 8 anos de idade e eu descobri uma revista pornô do meu irmão mais velho. E aí eu nunca tinha visto aquilo, e eu fui ver no banheiro. Então eu tava fazendo cocô.

E aí foi a primeira fez que eu vi aquilo, eu não sabia o que era sexo e provavelmente a primeira vez que eu senti tesão vendo aquilo tudo.

Eu não sei se tem algo haver. Pode ser?

Marcelo: Tem haver, mas provavelmente não deve ser a pulsão. A gente chama isso de pulsão, tá?

Eu: Aham.

Marcelo: Não deve ter sido a pulsão primaria.
A pulsão primaria provavelmente tá aos seus 2 anos de idade.

É que você já associou. Entendeu?

É como se você pegasse uma pedra e a atirasse no lago. A pedra cai e ela vai fazendo ondulações, certo? Isso que te aconteceu com 8 anos foi uma ondulação, mas não é onde a pedra caiu.


Eu: Entendi...

Marcelo: Mas tem haver! Tanto que você ficou excitado.

Agora, você ficou excitado porque já tinha. Já tinha essa excitação.

Uma ligação talvez que você tem nessa fase anal, junto com algum outro tipo de simbologia na fase fálica que é de 3 a 6 anos. Ok?

Então significa o que? Que quem gosta de pé (por exemplo) na simbologia, no caso da heterosexualidade de um homem, o pé tem o mesmo valor da vagina. Simbolicamente.

Exemplo que pode ter o mesmo valor: Peito.
Isso tá tão claro que quando por exemplo, um homem hétero transa com uma mulher, ele mama os seios da mulher.  Cara, de boa, o que uma criancinha se olhasse aquilo diria?
- "mas que coisa mais ridícula! ele não é mais bebê, e também não tem mais leite" (risos)

Mas é por que é uma lembrança, ou melhor, uma gravação primitiva do orgasmo quando ele mamava. Ou quando ele sugava. Entendeu?

Aí você fala "mas e no caso da mulher?". Ela não mama o peito do homem por que o homem não tem peito... Se tivesse peito talvez ela mamasse. Mas daí o que que ela faz? Sexo oral.

O sexo oral é uma representação disso.

Eu: Tá.

Marcelo: Beleza? Então vamos lá...

O fetiche que você tem, não tem NENHUM problema, a nível da psicologia.

Ele tem um problema de encaixe no social. Ou seja, é um problema de adaptação sexual.

Simbolicamente, um cara que chega e fala
- "cara, eu sou louco por peitão, quando eu vejo peitão eu fico doidão"...
"nossa eu sou louco por cabelo, quando eu vejo uma mina de cabelo comprido, ou quando eu vejo um homem de cabelo comprido, nossa eu fico excitada"...

Você, tem um tipo de excitação que foi produzido de forma inconsciente, não é consciente, que tem um pouco mais de dificuldade de adaptação social. Pra maioria das pessoas, por senso comum, não é muito desejável.

Deu pra entender?

Eu: Aham...

Marcelo: Então isso é coisa sua. Como você percebe isso, isso deve incomoda-lo.

Eu: Sim... Obvio, é a coisa mais difícil do mundo procurar pessoas... e, antes da internet, era uma coisa de não me aceitar por não saber se existiam outras pessoas iguais a mim.

E aí que que aconteceu... eu fiz o blog, claro, com uma desculpa pra achar outras pessoas obviamente, por que eu não saio por aí falando sobre tudo isso...

Eu achava um absurdo, isso antes do blog...  eu não me aceitava, as pessoas podiam me achar doente e enfim... Era algo absurdo pra mim. Jamais eu teria essa conversa com você (na época).

E o blog me ajudou muito, mas muito... A me entender, a pesquisar sobre, a ver que existem outras pessoas e entender os motivos delas também.

É muito louco porque assim... Eu não tenho nada de desejo por dor e afins e é impressionante como as pessoas gostam desse fetiche... De dominação e submissão, gostar de sentir dor...

Marcelo: Que não é o seu caso?

Eu: Não é o meu caso.

Por que muita gente que curte o que eu curto, é este caso de associar as duas coisas.
Vai fazer por humilhação... Não é o meu caso. Eu sinto prazer por que eu sinto. Talvez pelo nojo e pelo prazer.

Marcelo: Eu também acho, porque cuspe, peido... é tudo ligado ao nojo.

Eu: Sim. Mas tem algo haver? Por exemplo: "dor e prazer" e "nojo e prazer".

Marcelo: Sim, claro.

Eu: É meio que os opostos se atraem...

Marcelo: Nojo e prazer é a mesma coisa. Só que em extremos diferentes.
É como se fosse um positivo e o outro negativo, mas a mesma coisa.

Eu: Tá...

Marcelo: Exemplo... hãm... a questão de "medo e desejo".
Medo e desejo são a mesma coisa. Medo é o desejo ao contrario. Você só tem medo daquilo que é a posição do que você deseja.

Então na psicologia, o contrario do medo não é a valentia, o contrario do medo é o desejo.

Deu pra entender certinho? Mais ou menos isso...

Eu: Aham!...

Marcelo: Mas eu acho assim, olha...
O que eu quero dizer: É que o teu fetiche, assim como tem outros fetiches, é teu e não tem problema nenhum. O problema é a adaptação social. Tem mais dificuldade de adaptação social.

E como você "se vê" nesse fetiche, em relação a sociedade.
Então você se vê... é... meio "ET" entendeu? (risos)
Tipo, não permitido, ou uma coisa errada... "que tira o seu valor"... e te "descrimina como pessoa"...

Eu: Entendi...

Marcelo: Agora uma outra questão é que a sua vida sexual... é horrível né?
A qualidade dela que eu quero dizer.

E assim como a gente precisa dormir bem, comer bem, exercitar-se bem... a gente precisa transar bem pra ter saúde. Se não faz isso não tem saúde. Tá?

Esse fetiche tá ligado a sua vida sexual, por que no caso dos homens, a sexualidade tá muito ligado a sua confiança. Então o Freud diz que o órgão sexual não é o pinto, o órgão sexual é o cérebro.

Se não tiver bem aqui (apontando pra cabeça) não funciona nada...


Marcelo: O que é que causa a disfunção erétil, por exemplo: Recalque.
Quer dizer que você provavelmente tem nas suas experiências passadas muito recalque.

Recalque é a ideia de você empurrar na consciência algo que "não é permitido", mas que no fundo você deseja. Pode ser uma lembrança, pode ser muitas outras coisas...

Eu: Eu já tive uma ex namorava que eu gostava do cheiro da pele dela... sabe meio que feromônio? É uma coisa meio sensorial. E minha masturbação é maravilhosa, e hoje em dia eu meio que uso dos fetiches...

Sobre os fetiches, questões que me pairavam eram "se eu sou doente" e coisas do tipo...
E que eu acredito que não. Seria se me fizesse algum mau, do tipo, se eu necessitasse disso... mas não é o caso.

Eu vivo bem e me aceito por pesquisar e escrever sobre.

Marcelo: A masturbação é boa e ruim. Ela é boa porque ela é uma descarga.
No homem, o saco escrotal encheu de esperma você tem que expelir. No caso pra nós homens, é uma necessidade. Tá bom?

O problema é que vai cada vez te isolando mais. Isso com o tempo, eu quero dizer.

Tem homens que tem 20 anos, 30 anos, 40 anos... E se masturbam, a masturbação vira um vício. Entendeu? E cada vez eles se isolam porque precisam menos ainda "da outra" ou "do outro".

E aí que acho que é esse o problema psíquico. O problema psíquico é o isolamento.

38min e 57seg de sessão.

Marcelo: Bacana, bem... Você estava com dúvidas.. melhorou? Piorou?

Eu: É.... quer ver, vamos tentar...

Sou uma pessoa doente?

Marcelo: Não.

Tipo ó, deixa eu pontuar: Em relação ao seu fetiche: não.
Agora, você pode ter uma vida sexual doente? Sim. Em relação a insegurança.

Então vamos imaginar que você não dorme direito... Você fica mau?

Eu: Sim...

Marcelo: ...Você não transa direito, você fica mau? Fica mau.

Então você é doente? Não, mas você pode estar adoecido por causa da qualidade da sua vida sexual.
Se não, você não vai conseguir ser pleno.

Em relação ao seu fetiche, de boa, já expliquei pra você de onde ele vem... (risos)
Na realidade é uma simbologia do falo.

Agora, essas coisas interferem na vida sexual adulta? Interferem.
Essas coisas estão no seu inconsciente. É muito mais energético, muito mais pulsional.
É uma coisa que você não controla.

Aí você pode me perguntar
- "Marcelo, tem pessoas com questões parecidas com a minha?"
Sim.

Eu: Em relação aos fetiches... Eu leio na internet que com mijo é mais comum do que se imagina... é verdade?

Marcelo: Sim. É mais comum com urina do que com fezes.

Eu: Pra mim uma coisa levou a outra na verdade...

Marcelo: Mas eu acho que a sua questão é o nojo.

Eu: É! Mas é mesmo.

Marcelo: Se a questão fosse fixada no cocô, vira essa coisa de humilhação... Mas não é fixado só no cocô, é fixado em outras coisas também. Então parece que tá muito mais ligado a questão do nojo.

Tipo "É nojo pros outros, pra mim não."

Lembra que eu falei que a criança não sente nojo dessas coisas?
Se deixar a criança ela fica mijada o dia inteiro e tá "tudo beleza"...

Eu: E isso vem da fase anal?...

Marcelo: Isso vem da fase anal...

Eu: ...o lance do nojo?

Marcelo: O nojo é uma influência dos adultos na fase anal.
A criança naturalmente não vai sentir nojo.

Eu: Só pra eu entender, provavelmente teve algum "traumazinho" na infância...

Marcelo: ...provavelmente nessa fase da sua vida, você teve uma experiência que causou uma marca psíquica, que a gente chama de trauma tá? Que produz essa excitação. Que levou você a simbolizar o falo nessas coisas.

Significa o que? Que essas coisas tem a mesma simbologia, representam a mesma coisa que o próprio órgão sexual.

Eu: Tá...

Marcelo: Então quando você fica ali cheirando cocô, cheirando as fezes... Era como se você tivesse por exemplo, no caso do homem que tem fetiche pela vagina, tivesse cheirando uma vagina.

Eu: Aham...

Marcelo: Deu pra entender?

Eu: Sim sim... então provavelmente aconteceu algo que eu relacionei o nojo ao prazer?

Marcelo: Provavelmente. Só que isso obviamente você não lembra, por que as crianças sofrem de amnésia infantil. Seis anos pra baixo o cérebro... apaga.

Mas essa experiência ela vai reproduzir essas "ondas da pedra que caiu no lago" que você vai vivenciar...
Por exemplo, umas dessas ondas foi quando você tinha os 8 anos e você pegou a revista pornô...

Conforme você vem na análise, conversa dessas coisas, fala como você se sente... a psicanálise é a cura pela fala.  Você se cura falando. Essa energia vai dissipando, o recalque vai diminuindo e você vai conseguir lidar com essas coisas.

Se você quiser. Tá?

Eu: Os fetiches, digamos que eles me fazem bem. Óbvio que eu tenho bom senso, é como alguém que bebe ou fuma... A gente sabe o risco que corre. 

Mas é algo que me faz bem, não é algo que eu quero me livrar.

Marcelo: Fetiche você não perde.

Eu: Não perde?

Marcelo: Não perde nunca.
Hã... Fetiche, o cara que gosta de peito vai gostar de peito a vida inteira...
O cara que gosta desse teu fetiche vai gostar... entendeu?

É uma forma de excitação, é um caminho de excitação.

Eu: Eu tenho como... dar um gatilho em alguém que não gosta?
Por exemplo: Começo a namorar uma pessoa. Ela nunca teve essas experiências...
Eu tenho como faze-la gostar? Não é que eu vou impor isso, mas existe a possibilidade "dela" começar a gostar?

Marcelo: Só se ela já tiver isso. Isso você "não coloca".
Ela pode ter e ela não saber... (risos) Mas você não coloca.

Porque isso é um processo inconsciente na primeira infância. Essa pulsão. Essa energia. Esse tesão.

Agora lógico, ela pode "aceitar".

Eu: É diferente de gostar e sentir tesão?...

Marcelo: É a mesma coisa do cara chegar pra mulher e falar assim
- "eu gosto de beijar seu pé, eu gosto de lamber seu pé..."
- E aí quando o cara faz isso você fica excitada?
ela diz - "não, mas ele gosta... eu deixo ele.

Eu: Entendi...

Marcelo: ela diz "deixa ele lá, tudo tudo beleza!..."
- E você gosta?, você gosta disso?
e ela responde: "não, eu gosto dele."

Deu pra entender?

Eu: Tá... Você tem noção de quantas pessoas tem esse fetiche?

Marcelo: O teu provavelmente tem em menos quantidade do que os outros.

Eu: É muito raro?

Marcelo: Não. Não é "muito raro", é só raro.
Eu não sei se a palavra "raro" é a palavra melhor, tá?

Por que a maioria é por pé... Bem,  a maioria é por peito, por bunda. - Que também é fetiche!
Depois travestismo. O cara que gosta de uma mulher vestida de lingerie é a "mesma coisa" do cara que veste roupa de mulher pra se sentir excitado. É um travestismo também. Não confunda com travesti.

Neste caso o falo tá na roupa.

Então o que eu quero é que você saia daqui pensando:
"Ah, então tá de boa, isso que eu tenho é normal... o problema é a adaptação social."

O nosso tempo tem um pouquinho mais de dificuldade de aceitar, do que em outros fetiches.

Então o problema é social. O problema é de norma de conduta.
Não tem nada haver com doença.

"Vou perder o fetiche?": Nunca.

"E o que fazer pra me adaptar socialmente?": Eu vou fazer isso me atrapalhar o mínimo possível.
Porque eu preciso me adaptar ao social também. Eu vivo em sociedade.

Tá?

"Qual que é o grande problema? É o fetiche?": Não.
O grande problema é a minha vida sexual não estar legal.

"O tratamento o que que é? Você trata o fetiche?": Não.
Você vai tratar a sua vida sexual. Porque que ela talvez não tem qualidade, e enfim.

Eu: Entendi.

Marcelo: É isso aí! Beleza?

Eu: Beleza!

51min e 01seg de sessão.

Nos despedimos.





Se você leu até aqui de coração e mente aberta, eu nem tenho muito como concluir de uma forma mais foda que a experiência. Foi foda. Simples assim. Me mudou como pessoa.

Me tirou algumas angustias, me deixou mais tranquilo comigo mesmo e socialmente, e acima de tudo: me conheci um pouco mais.

Procurem um psiquiatra. Isso não é só "coisa de maluco".
Se conheçam... Cada pessoa é uma pessoa, e somos totalmente diferentes.

Enfim... Que orgulho de ter essa publicação por aqui.
Era algo que eu queria desde o principio. A visão de um profissional diretamente sobre os meus fetiches por cocô e afins. Uma experiência que eu tive pessoalmente.

Foi uma puta aula.


Leia também:
Boca e fezes: Os opostos se atraem.
As 5 possíveis (e não comprovadas) Teorias de como alguém pode gostar de Sexo com Cocô (SCAT).

6 comentários:

  1. Querido Gustavo, em primeiro lugar, gostaria de parabenizá-lo por esse importante passo que você deu com a visita ao psicanalista. Este passo certamente exigiu muita coragem e superação. Eu admiro sua coragem. Eu estava esperando impacientemente pelo seu relatório e li hoje imediatamente quando você o publicou neste blog. Foi uma ideia muito boa gravar a conversa - portanto, nenhum detalhe foi perdido. Devo dizer que a conversa é muito interessante e esclarecedora. Tenho o dobro da sua idade, mas os medos, a covardia, os pensamentos, a má consciência, a vergonha são os mesmos que você esta(va) sentindo. E por esse motivo, só posso agradecer pelos esclarecimentos que você publicou de forma tão clara e detalhada. Seu psicanalista - deve ser dito aqui - é muito profissional e explicou tudo de maneira muito clara e compreensível. Eu suponho que você deixou a consulta médica como uma nova pessoa, certo? Depois de ler o seu relatório, senti-me muito diferente. E também com novos conhecimentos, com mais conhecimento e com menos vergonha. Muito está mais claro agora. Muito é compreensível agora. Sua experiência me mostrou que a coisa toda sobre o nosso fetiche não é tão ruim assim. Em outras palavras, é uma maneira diferente de desfrutar, satisfazer e gozar. Sua experiência me incentivou a explorar mais a esse respeito. Alguns fatos (confirmados pelo seu médico) já me eram conhecidos; outros são completamente novos para mim: especialmente o tópico "nojo". Sua cobertura é muito interessante - obrigado do fundo do meu coração. Espero que você tenha se beneficiado e espero que vc possa viver melhor com suas / nossas preferências. Se você investigar mais, compartilhe essa experiência conosco. Também parabéns pelo seu blog aqui. Espero que muitos de nós sintam algum alívio depois de ler sua experiência. Um forte abraço.

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    1. Uau. Coração quentinho depois disso. Só tenho a lhe agradecer, isso foi importante pra mim. Obrigado, muito obrigado de verdade. Comentários assim faz tudo valer ainda mais a pena. <3 Ficarei feliz em ter você sempre por aqui.

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  2. Tô até emocionada sabia!
    Que misto de orgulho e felicidade eu tô sentindo agora em ler tudo isso, quisera eu um dia ter essa mesma coragem tua, foi muito esclarecer esse teu momento, que na verdade partilha de todos nós aqui, essa é aquela nossa velha história, que diversas vezes eu e tu batemos na mesma tecla... Somos pessoas normais com gostos peculiares,e sei como isso deve ter sido importante pra ti, então... Muito orgulho S2
    Tu é especial meu amor.
    Parabéns pela tua iniciativa, como eu disse me emocionei muito porque entendo a importância dessa "aprovação" que nos classifica como normais...
    Tu é mara, e parabéns pelo blog que tá sempre nos propondo outra visão desses fetiches maravilhosos e únicos S2

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  3. Cara, a sua história é muito similar a minha. Eu tmb nao sabia que havia outras pessoas adeptas desse fetiche além de mim até conhecer a internet. O contrário de vc nunca tive problemas de auto aceitaçao quanto a isso. Eu sou um scater geral. Eu gosto de comer, de ver e de cheirar. Tmb adoro ouvir e cheirar peidos femininos. Hj estou mais tranquilo quanto a isso. Difícil é me abrir com uma garota ou mulher que estiver me relacionando com medo do que ela pode pensar de mim. Quanto ao resto estou tranquilo. Nao quero me desfazer do meu fetiche e nem me sinto angustiado por ser "diferente". Eu adoro o que sinto, nao me incomoda. Minha preocupaçao é a aceitaçao social e o preconceito que envolve essa prática. Ja criei coragem e revelei isso à uma moça que estava me relacionando. Como ja estava preparado para uma possível reaçao negativa dela, entendi dela ter me rejeitado e nunca mais me procurado.

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  4. Extremamente didático e elucidativo! Acredito que pode ajudar muita gente! Várias coisas aí fazem sentido. Claro que algumas coisas também variam de pessoa para pessoa. Mas, no geral, pode auxiliar muitos scatters a se entenderem melhor!

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  5. Que interessante cara! Obrigado por compartilhar sua sessão! Eu já fiz terapia, já até falei de coisas sexuais etc, mas jamais teria coragem de citar esse ponto, mas vc fez por mim hehe.

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