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DICA!: Novidades do blog pelo twitter: @ScatGustavo

sábado, 30 de maio de 2020

Extremos: O Lado B do Scat. | nº2 "A Privada Humana"

É PRA ENTENDER. O OBJETIVO DESTA É TENTAR ENTENDER.
É INFORMAÇÃO. 
JAMAIS REPRODUZA O CONTEÚDO DESTE ARTIGO.


por Gustavo Scat (Loiroomegle)

SCAT tem vertentes extremas. Concordando ou não, elas existem.
Uma serie de publicações polêmicas, porque a humanidade é assim.


"A Privada Humana"

O sonho de muita gente pode ser comprar um carro, ganhar na loteria... Mas dessa pessoa aqui não. Conhecida como "CD Privada", o sonho dela é este mesmo: Se alimentar o máximo que puder de fezes humanas.

Cobrindo a sua identidade com uma máscara e "vivendo em permanente castidade" Pri (Cd Privada) tem 30 anos, mora em São Paulo e diz namorar e ser a propriedade de sua Rainha.
Cd Privada é uma travesti bissexual que criou um blog chamado "Como me tornei uma privada humana" para poder explicar a sua trajetória de comer merda com textos e relatos muito bem escritos. Experiências de coragem, para corajosos. Tem que ter estômago.

Com decisões arriscadas mas convictas, Pri costuma receber e até comprar o cocô de algumas Dommes. Ela estoca na geladeira e algumas vezes até pesa as iguarias em uma balança, para poder se gravar engolindo as fezes o postar nas redes sociais. A média é de 100 gramas de bosta.

Corajosa, ela se dispôs a ser entrevistada presencialmente, ao vivo e a cores, pra uma rádio fetichista do Youtube. 

Um de seus sonhos é escrever um livro impublicável: "uma espécie de Marquês de Sade do século XXI". Ela diz: "É hora dessa prática deixar de ser tão tabu, deixar de apavorar tanta gente".

Em uma conversa ela me disse: "Por ora, o importante pra mim será praticar e escrever (o texto servindo como mecanismo que me ajuda a entender meus processos e que serve para ajudar outras pessoas a se entenderem também). Se a modalidade que você pratica é tabu, aquela que mexe com a minha imaginação é ainda mais e, por isso, é tão ou mais importante que ela seja abordada".

- Você arriscaria a sua própria vida pra comer merda todos os dias em prol de um desejo ou bem mais que isso? Ela sim.

human toilet sex scat

E nada melhor do que entendê-la... com suas próprias palavras.

Por isso, separei os melhores trechos de alguns dos seus textos. Uma boa introdução, para depois concluirmos com uma entrevista exclusiva para o QueroScat.


"COMO ME TORNEI UMA PRIVADA HUMANA".


"Dia desses, conversando com um amigo do ramo, ele me confidenciou que, em sua opinião, sou das melhores engolidoras de scat que ele conhece.


Cada cultura lida de forma distinta com as excreções do corpo, tanto é que é também muito pessoal o rol de coisas que aprendemos a identificar como nojentas. E prova de o quanto podemos desenvolver de forma equivocada esse sentimento é o fato de muitos, por exemplo, sentirem nojo com escargot e gorgonzola.
Tem gente que tem nojinho de comer sanduíche depois de mordido por outra pessoa (mesmo que essa outra pessoa seja, por exemplo, a namorada e eles se beijem), a maioria das pessoas sente nojo de comer algo que foi antes mastigado por outro alguém (você vê alguém comendo um chocolate, pede um pedaço e a pessoa, de zoeira, oferece o que está dentro da boca, porque sabe que ninguém, fora gentes tipo eu, aceitaria; 


Oras, se meu objetivo é ser capaz de introduzir o scat na minha dieta cotidiana, a primeira coisa a fazer, então, é impedir que meu corpo tente expeli-lo toda vez que eu o consumir.
Meses atrás eu pensava que isso era delírio da minha cabeça, que corpo algum conseguiria se acostumar a tal regime. Hoje, quando há cerca de semanas estou ingerindo diariamente entre 50 e 150g de scat, sem que isso cause quaisquer problemas ao meu fluxo gastrointestinal, sem que isso me deixe doente, sem que deixe a minha imunidade baixa e, mais, sem que ninguém ao meu redor se dê conta de nada, hoje eu começo a acreditar que é possível.


É importante se acostumar com o sabor, textura, cheiro, aparência e até mesmo som que o cocô faz ao ser mastigado. Por isso mastigar sem pressa, deixando o bolo fecal passear por toda a boca mas sobretudo a língua, sem tentar se proteger do gosto, até o bolo deixar de ser sentido amargo. Quer dizer, quando houver amargor, né? Porque, agora que tenho me permitido conhecer esses sabores íntimos, mágicos de tantas Rainhas, venho descobrindo que as fezes de algumas delas são mais saborosas (e inclusive doces, doces, isso mesmo que você leu) do que muita gororoba que a gente costuma chamar de comida.


Na foto, eu bebendo os 60g de fondue de scat preparados especialmente pela minha Rainha, enquanto esperava para degustar três potinhos de scat (um de cada dia, 113g no total) de uma Rainha que me vende diariamente seus sabores".



INTRODUÇÃO A ENTREVISTA.

"O ser humano é complexo e deseja coisas que, num primeiro momento, parecem não fazer muito sentido. Há um tabu gigante em torno das nossas excreções e, às vezes, parece que queremos acreditar que nós nem mesmo vamos ao banheiro. A possibilidade de a literatura falar sobre excreções fora do registro da piada só se deu com um Marquês de Sade (que, em plena Revolução Francesa, inseriu a escatologia num contexto filosófico e sexual) e com um James Joyce (que, no começo do sXX, fez com que a evacuação pudesse ser assunto da literatura séria). Nesse sentido, me divirto com o filme surrealista de Luís Buñuel O Fantasma da Liberdade (1974), quando, em determinada cena, põe os convidados sentados em privadas em torno de uma grande mesa, com eles mijando e cagando com naturalidade uns na frente dos outros, e de tempos em tempos um pede licença para ir ao banheiro, local onde se tem autorização para comer. No filme, comer é objeto de vergonha, não cagar. Aludi a tudo isso para dizer que, apesar de termos tantos tabus em falar sobre xixi e cocô, muita gente sente enorme prazer em trazer esses elementos para a cena sexual. Antes de conhecer a internet eu não acreditava que éramos tantos, agora sei que estamos em todos os lugares e que sempre existimos. Essa comunidade, no entanto, mesmo parecendo homogênea e sem limites, comporta muitas subcategorias, subcategorias que às vezes nem lidam bem umas com as outras. Sendo assim é comum, por exemplo, que quem gosta de se lambuzar na merda tenha horror às pessoas que a comem e quem a come odeie ver seu corpo sujo de fezes. Parece contraditório a princípio, mas pra mim, que sou adepta da segunda possibilidade (comedora de bosta e com TOC de limpeza, já pensou?, é perfeitamente razoável. Só não sei explicar os motivos. Nessa entrevista, espero fazer com que essa prática deixe de parecer tão absurda ou que, se ela continuar parecendo absurda, que pelo menos seja possível conversar sobre ela (já que ultimamente o que mais temos feito é conversar sobre acontecimentos absurdos)".

 entrevista com toilet human - privada humana scat

**Como você descobriu que gostava de scat e quando decidiu ser uma privada humana?

Minhas primeiras memórias sexuais são lambendo os pés sujos de uma amiga e depois o seu furico, enquanto ela se masturbava. Nunca me interessei pelo genital dela e tampouco ela pelo meu, o nosso prazer consistindo apenas em explorar esses pontos inusitados do corpo. Tínhamos por volta dos 13 anos, num momento em que não existia internet ou acesso a pornografia, e no entanto era isso o que mexia com o nosso tesão. Fomos descobrindo intuitivamente esses prazeres, nos deixando guiar pelo nosso instinto. A partir dali a coisa foi escalonando na minha imaginação, mas demorou muitos, muitos anos até eu encontrar alguém que de fato topasse cagar na minha boca (minha primeira experiência foi com a Rainha Vivi em 2005, travesti que desde essa época é referência em BDSM e escatologia em SP). Precisei de outros tantos anos vivendo apenas a experiência de ver uma Rainha defecando em minha boca, até conseguir pular para o próximo nível e começar a engolir o scat. Acho que, quanto mais o tempo foi passando e eu fui me dando conta de que, mesmo com altos e baixos, essa prática permanecia no horizonte das minhas fantasias, mais eu fui aceitando que sou assim e que não precisava ter medo de encarar a verdade do que eu sou… e, à medida que fui me aceitando, fui deixando de me pautar pelos tabus que desde sempre me ensinaram e consegui finalmente começar a investigar a profundidade que esse fetiche podia assumir na minha vida.


**O que é ser uma privada humana?

Eu, na verdade, só sei explicar o que essa prática significa para mim. Para mim ela significa ser capaz de perverter a maneira como usamos o trato digestivo. Isso não devia ser tão chocante, já que falamos o tempo todo em usos pervertidos de partes do corpo humano. O sexo anal, por exemplo, é uma evidente perversão do propósito do ânus, e é interessante pensar o quanto o componente da violência colabora na erotização dessa prática (a vontade de arrombar o ânus, de meter com força, de fazer sangrar, o não se preocupar se a outra pessoa está sentindo prazer, etc). No meu caso, eu sinto ENORME prazer em imaginar que estou invertendo algo que pareceria a ordem natural da alimentação, transformando a minha boca (e junto o meu trato gastrointestinal) em privada de uma Domme e ensinando meu corpo a se aproveitar dos nutrientes encontráveis nessas fezes. Anos atrás eu achava impossível me alimentar diariamente com o scat de uma Rainha, mas agora que tenho conseguido fazer disso o meu cotidiano eu começo a mudar de opinião, sobretudo porque não há nem sinal de problema de saúde decorrente da ingestão de scat.


**Como é sua rotina como privada humana?

Ano passado, quando eu estava a ponto de mergulhar fundo na minha obsessão pela prática, comecei às pressas uma relação BDSM pautada pelo TPE (Total Power Exchange) com uma Rainha que tinha pavor de scat. Ela tinha um controle gigantesco da minha vida e me vigiava 24h/dia, forma que encontrei de me impedir de descobrir se eu era capaz de me tornar uma privada humana. No entanto, a impossibilidade física não impedia a minha mente de seguir obcecada com o tema e isso foi fazendo com que eu ficasse cada vez mais obcecada com a ideia, até chegar ao ponto de começar a fuçar banheiros públicos atrás de pedaços esquecidos na privada ou papéis sujos com um pedacinho saliente. Um dia a relação terminou e aí, com a imaginação a mil e sem proibições, embarquei de cabeça nessa fantasia. Foi o começo do meu blog, em outubro de 2019. Muitas vezes, nos meus últimos 15 anos, cagaram na minha boca e "me obrigaram" a comer, mas somente no final do ano eu determinei que ia tentar viver essa experiência da ingestão diariamente. Não tenho dinheiro para fazer sessões diárias de privada humana, então comecei propondo a Rainhas que me vendessem potinhos com seu scat para que eu fosse, sozinha, aprendendo a comer com naturalidade. Era um teste e deu certo. Ainda hoje sofro, tenho às vezes nojo, ânsia, mas cada vez mais aprendo a lidar com essas manifestações do corpo.





**Como você consegue engolir tanta merda? Existe alguma técnica especial?

A castidade forçada é um elemento importante dessa equação. Sem cinto de castidade, eu me masturbo diariamente, várias vezes ao dia. Com cinto, consigo passar semanas sem gozar e aí o tesão acumulado serve de combustível para que eu me jogue cada vez mais fundo. A princípio eu precisava que uma Rainha estivesse assistindo e de preferência que ela me estimulasse a comer, aí eu oferecia dinheiro a mulheres, no chat uol, para me verem comendo a minha própria merda pela webcam (era uma espécie de treino, com espectadora, então fazia sentido comer a minha própria, mas agora já não como a minha mais). Hoje em dia, já consigo comer sem elas estarem vendo na hora, mas sinto a necessidade de compartilhar o momento de alguma maneira, seja postando relatos ou gravando vídeos. A presença dessa Outra é crucial, talvez por conta da prática significar subversão na minha fantasia (e não há subversão se ninguém sabe que isso está sendo feito). Com castidade e com estímulo, ou mesmo só observação, o trabalho é facilitado, mas aí é preciso encarar os obstáculos que o nosso próprio corpo impõe: engolir sem pensar, pedaços pequenos, mastigando pouco ou então mastigando com a boca meio aberta, é uma das técnicas para diminuir o impacto do sabor, mas se você está mesmo determinada a aprender a comer, aí talvez seja o caso de deixar o cocô na boca por um bom tempo, passeando por todos os pontos da língua, até ir se acostumando com o gosto. Dei outras dicas em posts do meu blog, sobretudo sobre como aprender a comer merda sem sentir nojo e sobre os cuidados que se deve ter ao arrotar.


**Conte um pouco sobre a sua relação com o nojo. 

Não consigo negar, eu ainda sinto nojo. Mas isso não me impede de seguir erotizando a prática. Às vezes, inclusive, não é nem no momento da sessão que sinto o maior prazer e sim depois, quando rememoro a cena… ou até quando ponho ela no papel.


**E sobre o processo curioso de comprar o cocô das Dommes e congelá-los para comer depois? 

Para garantir que eu teria uma quantia mínima de cocôs para a minha dieta cotidiana (e, também, para testar a teoria de que o scat é sim um possível alimento ou, pelo menos, um suplemento alimentar), fiz uma reserva financeira para comprar potinhos de várias Dommes de São Paulo. Com uma delas aprendi que não se pode deixar o cocô exposto à temperatura ambiente, pois assim os microorganismos que ali existem (tanto os nocivos quanto os benéficos) se reproduzem muito rapidamente e tornam o alimento tóxico… pode parecer meio doido, mas até o cocô tem prazo de validade para estar apto para o consumo humano. Após esse período, se você o consumir, enfrentará uma bela duma intoxicação alimentar (passei por isso uma vez só, com um pedacinho de nada que passou várias horas moscando num potinho fechado, o tempo da sessão, porque a Domme não queria me assistir comendo).


**Como você consegue as merdas? Existe algum critério? As Dommes normalmente aceitam numa boa?

Eu MORRO de medo de ser importuna e invasiva, aí evito muito chegar perguntando na DM delas, exceto se elas já deixaram explícito em algum momento que realizam a prática. Uma consequência benéfica que o meu blog e o perfil da @cdprivada no Twitter tem gerado é um número cada vez maior de Dommes dispostas a ler sobre scat e até a me vender/doar potinhos. Tem sido comum também elas próprias me escreverem oferecendo potinhos para venda ou escreverem para a minha Domme, perguntando se ela tem interesse em me alimentar com o scat delas (a minha Domme compartilha comigo esse desejo por fazer de mim a privada mais gulosa de todas, capaz de engolir quantidades cada vez maiores e sabores os mais variados).




**Você gosta de qualquer tipo de merda?

Gosto de uma gama ampla de sabores, mas mais do que tudo gosto de ser testada, desafiada, então quanto maior a variedade e quanto mais difícil for comer, mais eu piro. Considero todas as mulheres, cis ou trans, naturalmente superiores, então para mim são todas Dommes. De homem é que ainda não dou conta de comer… já tentei algumas vezes, até sinto um certo tesão às vezes, mas não mexe tanto com meu imaginário. Se houver uma Domme assistindo, ou se for o namorado dela, até vai, mas homens sozinhos não mexem com a minha imaginação (apesar de eu ser bissexual).


**A sua relação como privada humana precisa estar ligada a dominação e submissão?

Não precisa ser necessariamente uma relação D/s, mas nesse contexto eu sinto muito mais prazer. Se a pessoa só fizer e me deixar comer (sobretudo se ela quiser assistir, mesmo que rindo), eu já ficarei doida de tesão. Mas se ela sentir tesão em me ver comendo ou se demonstrar tranquilidade em me forçar a comer cada vez mais, mesmo que a prática não mexa com o seu tesão, melhor ainda. Eu gosto de comer pra provar que posso, que sou capaz, que eu domino o meu corpo a esse ponto.


**Conte um pouquinho sobre pesar os cocôs para saber a quantidade que você está ingerindo.

Essa foi uma ideia que surgiu da própria prática, à medida que eu ia conseguindo comer maiores quantidades regularmente. Comecei a ficar com vontade de saber o peso das minhas refeições, assim como os ingredientes utilizados pela Domme para a preparação daquele alimento (algumas delas fizeram inventários minuciosos do scat que me entregaram e eu amo quando consigo identificar alguns desses ingredientes durante a degustação, como quando eu senti o gosto de cebolinha num cocô e a Rainha me confirmou, posteriormente, que tinha comido temaki). Atualmente o plano é ser capaz de comer 100g/dia, mas dependendo do scat é possível até comer mais do que isso sem ter qualquer reação problemática do meu organismo.




**Algo já deu errado?

As pessoas já me imaginam com câncer, HIV, sífilis e todas as hepatites, quando descobrem que eu me alimento regularmente com fezes, aí desacreditam quando falo que quase não tive problemas de saúde nos últimos anos. Gripes e resfriados de quando em quando, um pouco de dores estomacais (provavelmente causadas pela quantidade de café que eu tomo, até porque essas dores me acompanham desde o começo da vida adulta), caspa por conta do stress da vida doida e hipermetropia, eis as únicas queixas médicas que eu tenho a fazer no momento. Mas em duas ocasiões passei mal sim. Uma delas, já relatada, quando consumi o cocô que passou um dia inteiro de muito calor no potinho, e na outra, com sintomas parecidos, quando bebi um cocô mole, quase diarreia, que uma Rainha fez pra mim… a alimentação dela não era muito saudável, então imagino que a causa seja mais isso do que o fato de ser cocô. Nos dois casos, eu vomitei, tive diarreia, febre, mas 24h depois já não havia mais qualquer sintoma.


**Você pensa em algum dia ficar famosa por tudo isso?

Eu ia gostar de saber que minhas reflexões e relatos contribuíram para um melhor entendimento e aceitação da prática e confesso que ia gostar, também, de um dia me tornar uma escritora maldita, proibida, censurada (5 anos atrás pareceria improvável que em pleno sXXI um livro ou blog pudesse ser censurado, mas com a ascensão da direita ultraconservadora esse cenário tem voltado ao horizonte do possível). O plano pra isso é escrever uma obra que seja tão asquerosa quanto literária, para que ela não possa ser simplesmente jogada na lata do lixo da história. Quem sabe um dia chego nesse patamar!


**Como você lida com sua vida pessoal? As pessoas sabem dos seus fetiches?

A maioria das minhas relações de amizade sempre foi muito superficial e me dei conta de que isso tinha que ver com o fato de eu não poder me mostrar inteira pras pessoas de quem eu gosto. Desde que consegui começar a pelo menos mencionar para minhas amigas esse lado obscuro da minha vida, percebi que meus vínculos de amizade foram se solidificando. Em geral é mais fácil abordar a questão com anônimos, nas redes, por trás de perfis falsos, mas para manter minha sanidade mental estou precisando aprender a conversar sobre isso com pessoas mais íntimas também; pra minha surpresa, está sendo menos difícil do que eu imaginava.


**E como foi a experiência de dar uma entrevista presencialmente para uma Domme?

Numa das perguntas que já respondi por aí, falei sobre o quanto eu esperava uma enxurrada de ódio na minha DM e no meu perfil e do quanto estou surpresa com o carinho que venho recebendo. Pessoas me escrevem agradecendo por eu dar voz e visibilidade às suas fantasias, mas outras tantas também me parabenizam por eu ter feito com que elas vissem a coisa de uma maneira mais leve. A participação no programa foi talvez o momento de maior tensão na minha vida, pois tive que por mais de 2h, ao vivo, mudar a minha voz e correr o risco de ser reconhecida pelo meu porte físico (nunca se sabe quando alguém que te conhece estará assistindo um programa desses -- e ainda sigo correndo esse risco, porque o programa segue no ar), mas essa participação foi também uma das minhas maiores realizações. Uma hora eu teria que começar a enfrentar os meus medos, acho que a hora chegou.

programa agitando o bdsm com valentina severo
Cd Privada sendo entrevistada ao vivo no programa de rádio Agitando BDSM,
 comandada pela apresentadora e Domme Valentina Severo. (Foi ao ar em março de 2020)


**Você acha que passa dos limites? Qual é o seu objetivo afinal?

Por que as pessoas fumam? Por que elas bebem até cair? Por que cheiram, injetam? Por que sobem num ringue para se bater até o nocaute? Por que dirigem carros a 300km/hora ou mais? Por que pulam de paraquedas? Por que vão pro espaço? Por que apostam em jogos de azar? Por que investem na bolsa? Por que transam sem camisinha? Por que não transam sem camisinha?....... são tantas as perguntas, todas ótimas para fazermos grandes reflexões sobre o comportamento humano, mas sinto que a questão do scat choca mais do que qualquer outra. Parece que a escatologia, e em especial a privada humana, estão para além do limite do tolerável e o tabu é tão brutal que faz com que as pessoas concluam, sem qualquer necessidade de evidências, que essa é a prática mais autodestrutiva que poderia existir. Não se dão conta, inclusive, do tanto de práticas absurdas que fazem no dia a dia, práticas frequentemente muito mais perigosas do que essa que me tira o sono. Eu passei a vida sentindo atração pela ideia de me tornar, dentro de uma relação afetiva/sexual, uma privada humana e me senti horrível a vida inteira por isso. Chegou o momento de enfrentar esse sentimento que introjetaram em mim e, ao mesmo tempo, desafiar esse tabu. Eu ainda estou descobrindo quais são os meus limites… talvez eu extrapole o que se entenda como bom senso, talvez o bom senso não seja tão bom assim. Meu propósito é viver isso que sempre desejei e falar sobre isso, falar muito, muito mesmo, até tornar esse tema debatível, conversável, retirando-o desse calabouço em que foi trancafiado. Uma certeza eu tenho: grandes dilemas humanos estão presentes nos relatos e reflexões que eu trago, e não apenas dilemas de quem gosta de scat.




Manifesto da CdPrivada (pelo direito de falar, e principalmente comer, merda)


"Já passei da fase de desejar ter nascido outra pessoa, e quanto mais o tempo passa mais acho fascinante estar na minha própria pele.

O fetiche que é tabu mesmo no submundo do fetiche, aquele que BDSMers sentem a necessidade de nomear, já nas suas apresentações iniciais, como "hard limit". Crime não é, mas é como se fosse, e às vezes parece até pior do que se fosse de fato crime. 

Já digitaram "come merda" no Twitter? O tanto de vezes que num único dia a expressão é usada, nenhuma delas no sentido literal. 

Quase ninguém conhece quem tenha comido ou desejado comer merda e também porque, nas minhas interações cotidianas, ninguém parece desconfiar que eu como merda regularmente ou que a minha consciência esteja prejudicada (sou caretésima pra drogas ilícitas, aliás). 

Qual a proposta então? Comer e falar muita merda, o tempo todo. Desde que me conheço por gente, essa prática me tira o sono, mexe com o meu imaginário". 




CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Link do meu blog: umaprivadahumana.blogspot.com
Link do meu perfil no Twitter: twitter.com/CdPrivada (@CdPrivada)
Link do meu FetLife: fetlife.com/users/8996320

Link do perfil da minha Domme: twitter.com/NagashiQueen (@NagashiQueen)
Link do FetLife da minha Domme: fetlife.com/users/10872891


"Existir é um esporte arriscado, caro no mais das vezes. Existir faz mal à saúde, eu diria ainda. De qualquer forma, me sinto melhor agora como privada humana, podendo viver o que sempre sonhei e escrever a respeito, do que quando a vergonha e a falta de dinheiro me impediam (nem tenho tanto dinheiro assim, na real, mas a imaginação de vocês é fértil). Hoje meu sono é tranquilo e sinto vontade de escrever o tempo todo, hoje existir é um gozo, não um sofrimento. Se meu modo de vida te parece "chocante", talvez seja o momento de você se olhar no espelho e analisar o tanto de coisas absurdas do seu cotidiano que você aprendeu a naturalizar.

Meu sonho é que cada vez mais Rainhas desejem me usar de privada e que, com isso, eu possa um dia fazer jus ao título de mais gulosa de todas".

3 comentários:

  1. Eu realmente gosto de comer merda e nunca tive problemas com isso. É um ato tão romântico. Me fascina ver um homem cagar, admirar o cu abrindo e saber que eu vou comer toda a bosta.

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  2. Moro no interior da Paraíba.... comi merda de 5 caras em Uberlândia MG. Foi muito bom.
    Onde moro não dá pra fazer essas práticas por ser cidade pequena.

    Skp👉 trans lyly

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