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quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Scat e a ciência do comportamento. - Desvendando o Fetiche.

 

 Enviado pelo Leitor Texto enviado por um leitor do blog.
por Pedro, 22 anos, heterossexual. 


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Olá Gustavo, tudo bem? Espero que sim. Eu gosto de scat desde os meus 16 anos. Hoje tenho 22. Acreditava que, com o passar do tempo, eu iria deixando isso de lado.

A algum tempo eu vi seu site e ... Percebi que o número de mulheres é extremamente baixo. 

Eu estudo psicologia, biologia, neurociência e afins desde que me entendo por gente, de forma auto didata.

Eu não sou cientista, só sou muito apaixonado por ciência. Desde criança eu fico vendo vários documentários, vídeos, matérias sobre isso. A ciência é algo que me deixa muito feliz e me traz bastante inspiração. Meus maiores ídolos são cientistas...

Quando eu decidi aceitar o scat e não fazer um tratamento, eu coloquei uma condição bem específica: isolamento. O notável psicólogo e farmacêutico francês chamado Émile Coué diz: tudo aquilo que você foca, se expande. 

Se você fica pensando em problema, só vai enxergar problema. Se você foca sua atenção em soluções, vai passar a enxergar isso.  

Sei lá, isso é meio que uma filosofia que eu tenho. Da certo pra mim... 

Quando eu falo de isolar o scat, o que eu quero dizer é: eu vivo essa minha vida de fetiche em 4 paredes mas depois eu foco minhas energias nos meus projetos pessoais.  

Fica muito difícil isolar scat se você não tem uma parceira. A busca por água no deserto é desgastante, você gasta muita energia. Energia que eu poderia estar usando nos meus projetos, entende? 

E quando eu vi essa disparidade no número de mulheres e homens, resolvi utilizar todo o conhecimento que eu tenho na área da psicologia pra trazer uma explicação mais científica pra explicar o scat que me serve como base pra, caso eu queira, construir um método pra trazer essa realidade scatter pra um futuro relacionamento com uma mulher. Eu tinha a intenção de deixar o scat de lado mas ando percebendo que a minha capacidade de sentir prazer aumentou bastante graças a esse fetiche.

Decidi compartilhar com você por que admiro seu trabalho. Acho que a ideia de tentar trazer explicações magnífica, Gustavo! Todo site Scat que eu vejo tem uma Overdose de vídeos e nenhuma tentativa de... nos dar explicações, entende? Pra mim isso é importante. E você faz isso com maestria. 


Introdução - 

 

O termo fetiche vem do francês que, por sua vez, é oriundo do português “feitiço”. Essa associação faz sentido. O objeto de fetiche parece, de fato, enfeitiçado. A princípio, isso seria positivo. Um fetiche é capaz de gerar prazer e excitação ao indivíduo. Por que não ser interpretado de forma positiva sendo ele consensual/legal?  

Por que é diferente.  

A sociedade tende a não aceitar muito bem ideias sexuais muito diferentes, principalmente pela alta carga religiosa que influencia a visão da sociedade em relação ao sexo. 

Na idade média, a única posição sexual permitida era o “papai e mamãe”. Quem definiu isso?  

Alguém, baseado em “moral”. 

Se você fizesse diferente, provavelmente se sentiria mal por estar fazendo “errado”. 

Isso pode parecer distante de nós, mas não está. Até pouco tempo atrás, o homossexualismo era considerado doença pelo DSM (Manual de diagnóstico e estatístico de Transtornos Mentais). Tenho certeza que ele só deixou de ser por que todas as tentativas de reversão de sexualidade falharam miseravelmente. As pessoas desenvolviam ideações suicidas por não conseguir.  

A verdade é que o ser humano é muito bom em criar preconceito. Quando vemos algo que é muito diferente do que estamos acostumados a ver/experienciar, tendemos a gerar uma dose de desconfiança/rejeição. Falando de fetiche, a situação piora, por que muitas vezes o objeto de fetiche já possui uma definição do que é e de como deve ser compreendido. Um fetichista dá uma nova interpretação para isso: a sexual. A incompreensão das pessoas é a base do preconceito. O indivíduo cria o preconceito pegando as definições que já existem no mundo dela, e define que todos aqueles que tem uma definição muito diferente (principalmente indo pro lado sexual) é um tipo de doente que, não dificilmente, precisa ser combatido. 

Como a sociedade enxerga o cocô? De forma negativa. Tão negativa que é sinônimo de xingamento. “Sai daqui seu BOSTA! ”.  

É por isso que eu acho “feitiço” uma palavra boa para fetiche: só sabe o que é quem é “enfeitiçado”. 

O problema é que estar enfeitiçado não exclui o contexto que o indivíduo vive. A sociedade está ai e damos de cara com ela todo dia. É por isso que muitas pessoas tem a necessidade de entender o que está por trás do fetiche, principalmente o scat. 

Eu vim aqui usar a ciência para desvendar esse truque comportamental pra você. Espero que esteja preparado. 

 

Condicionamento clássico - 

 

A ideia de condicionamento clássico começa com o fisiologista russo Ivan Pavlov. Apesar do nome de Pavlov ser um dos mais conhecidos dentro da psicologia, inicialmente ele não tinha nenhum interesse em psicologia ou aprendizagem. Pavlov ganhou o prêmio Nobel em 1904 por uma descoberta incrível: ele estudava a saliva dos cachorros, e descobriu que a composição da saliva deles se modificava de acordo com a comida que era apresentada. Se você mudasse a alimentação de arroz para carne, a composição da saliva dos doguinhos mudava. 

Durante as suas pesquisas, Pavlov descobriu que existia algo instintivo no cachorro. Se ele via o alimento, de forma instintiva, não aprendida, ele salivava. Normal. Porém, muitas vezes, sem ao menos ver o alimento, o cachorro já salivava.  

Para poder estudar as salivas dos cachorros, Pavlov fazia um corte na glândula salivar e colocava uma mangueirinha para coletar a saliva o dia inteiro. Pavlov percebeu que bastava um pequeno barulho do cuidador mexendo no portão ou som de seus passos para os cachorros começarem a salivar. Nesse momento, Pavlov percebeu algo que hoje é obvio, mas que na época ninguém tinha observado: estímulos que a princípio são neutros, sem significado (como os passos do cuidador) poderiam ganhar um novo significado através da associação. Isso ficou conhecido como emparelhamento de estímulo. 

Perceba, não existe uma aprendizagem em salivar. O cachorro vê a comida e saliva instintivamente, isso é o chamado estímulo incondicionado. Porém, quando, junto ou antes desse comportamento instintivo, você adiciona um outro estímulo neutro (sino, campainha, som de relógio, passos do cuidador), você passa criar uma associação entre o estímulo incondicionado e o neutro. Através da repetição, esse estímulo neutro passa a ganhar um significado, ou seja, passa a ter o mesmo papel do estímulo incondicionado: o estímulo neutro passa a ser condicionado. 

Pavlov começou a fazer testes. Antes de dar comida para os cachorros, ele ativava uma sirene. Inicialmente, os cachorros ouviam o barulho e apenas ficavam atentos com o barulho. Porém, através da repetição, essa sirene neutra ganhou um significado: a comida estava vindo. A sirene estava condicionada.  

Este é o condicionamento clássico. 

Pavlov estudava e fazia testes com animais, porém, essas ideias acontecem da mesma forma com os humanos. Temos comportamentos instintivos o tempo todo e, como consequência óbvia, estamos sempre fazendo esse processo de condicionamento.  

Uma música que pra você pode não significar nada, pra mim pode ter uma carga emocional enorme. Tudo vai depender do que aconteceu antes ou durante o momento que eu a ouvia.  

Ouvia a música enquanto estava em um período conturbado da vida? Ou Feliz? Tudo isso influenciará a forma como você a interpretará futuramente.  

O que acontece quando você ouve músicas da sua infância?  

Tudo isso parece muito obvio.  

Estudando a ciência, percebemos que, muitas vezes, as grandes mudanças só acontecem quando vem alguém pra mostrar o obvio.  

Compreenda que esse conceito é fundamental para entender, por exemplo, o estresse pós traumático de pessoas que voltaram da guerra. Essas pessoas vão pra guerra e ficam traumatizadas. Ao voltarem, podem ter várias reações desesperadas envolvendo pequenos barulhos do dia a dia. Por que lá na guerra, esses barulhos tinham outro significado. 

É nesse contexto que vão surgir também as fobias. É muito comum existir famílias onde todos os homens ou mulheres morrem de medo de baratas. Muitas vezes, a criança está lá, com 1 ano de idade e vê uma barata. Ela chega perto do inseto e a mãe ou pai dá um grito assustador. O que assusta a criança muitas vezes não é a barata, mas sim o grito. Com o condicionamento clássico, a criança faz uma associação. 

Isso acontece tanto com coisas positivas quanto negativas. Compreender esse conceito vai nos ajudar a entender fetiches.  

 

Fetiche como um comportamento - 


No artigo “ Case of fetichism treated by aversion therapy”, o psicólogo M. S. Raymond relata o caso de um homem de 33 anos, casado, que apresentava um intenso fetiche por bolsas femininas e carrinhos de bebês. O fetiche desse indivíduo era tão intenso que ele chegou a atacar vários carrinhos de bebês na rua, produzindo arranhões e cortes, além de incendiar um carrinho de bebê para obter excitação sexual. Em uma das situações, ele chegou a avançar com a moto pra cima de um carrinho de bebê.  

Ele também ficava excitado observando as bolsas das mulheres nas ruas, principalmente das senhoras de idade. Às vezes ele chegava a tentar jogar lama, óleo ou muco sobre as bolsas e carrinhos de bebês das pessoas. 

Com esse comportamento, ele começou a ter problemas com a polícia. Por esse motivo, resolveu procurar ajuda após ser condenado várias vezes. 

O sujeito foi examinado e foi constatado que ele não apresentava nenhum tipo de psicose e ainda possuía uma inteligência considerada normal. Devido a intensidade do fetiche, ele dizia não ter esperança de que algum tratamento pudesse surtir efeito. 

Foi ai que o Psicólogo planejou um tratamento que consistiu em mostrar para o sujeito uma coleção de bolsas femininas e carrinhos de bebês e depois aplicar nele uma injeção de apomorfina que lhe causava náuseas. O objetivo era associar os objetos de fetiche com a sensação de náusea. Esse procedimento passou a ser feito diariamente por 2 Horas. 

Com o fim de uma semana, ele foi liberado. 8 Dias depois, ele retornou dizendo que pela primeira vez tinha conseguido ter relações sexuais com a esposa sem recorrer a objetos como bolsas e carrinhos de bebês. A esposa dele relatou que de fato havia observado algumas mudanças favoráveis nas atitudes do marido.  

Mas o tratamento precisava continuar por que as vezes ele tinha algumas recaídas. 

Depois de mais uma semana de tratamento, a simples visão de uma bolsa já era capaz de fazê-lo passar mal e quase vomitar. Foi ai que ele ficou confinado em um quarto com vários carrinhos de bebês e bolsas femininas até que tais objetos se tornaram quase insuportáveis

Esse tratamento eliminou o fetiche dele o que tornou a sua vida muito mais fácil e com menos problemas com a justiça. 

Esse relato de caso é um indício de que o fetiche é aprendido e que também pode ser desaprendido. Porém, a nossa dúvida é: como aprendemos isso? 

É nesse ponto que entra a pesquisa de outro psicólogo chamado Rachman, que demonstrou experimentalmente como podem ser desenvolvidos os fetiches, estudo documentado no artigo “Sexual Fetishism: an experimental analogue” 

Ele colocou sujeitos para verem fotografias de botas femininas em uma projeção de slides e 15 segundos depois os slides passavam a mostrar fotografias de mulheres desprovidas de vestimentas. Esse pareamento de imagens de botas e de mulheres sem roupas foi apresentado de 30 a 65 vezes até que as botas SOZINHAS já eram capazes de provocar excitação sexual que foi registrado por um aparelho que foi conectado aos órgãos genitais dos participantes da pesquisa. 

Esse estudo mostra que fetiches, assim como quaisquer outros comportamentos complexos, são aprendidos na interação que o indivíduo estabelece com contextos específicos de estimulação. 

É plausível dizer que esses pareamentos em boa parte das vezes ocorrem acidentalmente, ou seja, por coincidência, um objeto que a princípio era neutro estava presente em uma situação que naturalmente excitava o indivíduo, o que acabou dando origem a uma associação que deu o poder do objeto de produzir excitação, transformou ele em um fetiche. 

Em alguns casos a pessoa só consegue ter excitação se o seu objeto de fetiche estiver presente. Ou se conseguir imagina-lo de maneira suficientemente intensa. 

Esses estudos são importantes para a nossa compreensão dos fetiches. Mas eu gostaria, também, de destacar uma frase que eu escrevi quando estava explicando o condicionamento clássico:  

“Durante as suas pesquisas, Pavlov descobriu que existia algo instintivo no cachorro. Se ele via o alimento, de forma instintiva, não apreendida, ele salivava. ” 

A excitação sexual seria esse algo instintivo. Observe:  

 

Humano: Excitação sexual:= comportamento instintivo, incondicionado. 

Cachorro: salivar ao ver comida= comportamento instintivo, incondicionado. 

 

Humano: Botas femininas: neutro, sem significado a principio 

Cachorro: Sino ou passos do cuidador: neutro, sem significado a principio 

 

Para o condicionamento clássico acontecer, é necessário a repetição. Quanto mais simples for um fetiche (simples no sentido de aceito pela sociedade) como por exemplo fetiche por langerie vermelha ou mesmo esse exemplo das botas femininas, mais fácil é o engajamento dos pensamentos na repetição. Isso acontece por que nesses casos a argumentação mental é menos importante. As crenças do indivíduo não estarão tão envolvidas no processo. A forma como entendemos e interagimos com o mundo é essencial na construção de fetiches mais diferente.  

Não somos animais iguais aos outros da natureza. O ser humano é o único ser vivo que precisa explicar pra si mesmo e as vezes para os outros o por que faz o que faz. É por isso, inclusive, que você está lendo esse texto. Você quer uma resposta. O que eu gostaria de destacar é que podem existir, antes do nosso comportamento extintivo, um contexto que precisa ser observado.  

Já ouviu aquela frase “até perdi a fome!” ? Fome é instintivo. Porém, se você briga feio com alguém que você gosta ou recebe uma notícia muito ruim, a fome pode temporariamente desaparecer. O ponto é: estamos completamente envolvidos em um contexto. 

Para um individuo desenvolver o fetiche em cocô ele precisa ter uma mentalidade propicia. A mentalidade é a gasolina do engajamento nas repetições que resultarão no condicionamento, por que ela que irá ativar a nossa imaginação que nos dará um conjunto de sensações crescente de certeza de que “você nasceu pra isso”. A maioria das pessoas que tem esse fetiche realmente acredita que existe algo biológico por trás.  

Pra ficar muito mais claro isso, vou lhes apresentar o exemplo da tábua: 

Imagine que você tem uma tábua no chão e que ela tem 10 metros de comprimento por 25 centímetros de largura e que eu lhe pedisse para atravessar sobre essa tábua. Provavelmente você não teria problema nenhum e atravessaria tranquilamente. Você não teria problema algum de atravessar uma tábua que estivesse sobre o chão. 

Uma variação desse exemplo: imagine agora você essa mesma tábua, com a mesma estabilidade, mesma firmeza, mas a vários metros de altura sem qualquer tipo de apoio. 

Você seria capaz de atravessar essa tábua?  

Provavelmente poucas pessoas teriam coragem e muitas das que tivessem essa coragem acabariam caindo. Elas cairiam dominadas pela sua imaginação

Vertigem é um tipo de tontura sentida como uma FALSA sensação de movimento. As pessoas geralmente sentem que elas, o ambiente, ou ambos estão girando. 

Seria muito fácil, a vários metros de altura, tendo que atravessar a tábua, criar um intenso sentimento relacionado a vertigem. Isso, por sua vez, te dará a certeza de que vai cair. 

Você percebe como que o contexto em que vivemos e aquilo que acreditamos influencia completamente naquilo que sentimos e imaginamos?  

Eu disse e repito: a forma como você enxerga o mundo, se enxerga e interage com a sua realidade é essencial para o engajamento dos seus pensamentos na repetição que lhe darão a capacidade ou não condicionar um fetiche como o scat. 


 

Portas de entrada scat – 

 

Seria impossível, pra mim, definir exatamente o contexto e os pensamentos que uma pessoa teve pra engajar no condicionamento do scat. Na verdade, a única coisa que eu poderia fazer é relatar o caso específico de uma pessoa, caso conversasse com ela. Você poderia se identificar ou não. Então, ao invés de ficar descrevendo relatos específicos, vou citar as portas de entrada do scat. A partir dela, o sujeito pode ir desenvolvendo mais e mais seu fetiche. 

  1. Aproximações sucessivas: neste caso a pessoa começa a gostar de scat de forma gradativa, passo a passo. Exemplo: O indivíduo está vendo pornô e, do nada, a mulher faz o famoso “squirt” que, pra quem não sabe, é um liquido que sai da vagina. A partir daí, ele passa a se interessar por essa ideia e se masturba frequentemente com isso. Tempos depois ele vê uma mulher literalmente mijando. Bom, ele já gostava de líquidos vaginais, xixi é só mais um... Depois, buscando mais vídeos do tipo ele entra nas categorias “Pee” que não dificilmente vai mostrar “Spy WC” que é “câmera escondida no banheiro”. Finalmente ele vê uma mulher cagando e se excita. Perceba que ele foi pulando de categoria em categoria até chegar ao soft scat. Depois dai vai depender dele e dos seus pensamentos. 
  2. Acreditar: Existem pessoas que podem ter experiências na vida que a fazem acreditar que são “porcas”. Eu já vi:  “Ah, eu fazia porquisses no banheiro etc”. Essas pessoas acreditam que isso é uma espécie de destino e podem começar a ser scatter por conta própria, ou, com o passar do tempo, quando encontram um vídeo do tipo, tem a sensação de que achou o “seu destino”. Conformidade constante que facilita muito o condicionamento. Normalmente são esses que vão dizer que nasceram gostando de scat. 
  3. Acidente: uma criança que no momento em que está no banheiro involuntariamente se excita e acredita que é por causa do cocô ou mesmo alguém que vê um pornô do tipo 2girl1Cup e se excita. Querendo ou não, pornô é pornô. Tem gente pelada nos vídeos scat. Pode SIM excitar. A pessoa se excita por ver ou viver algo acidental e passa então a investir nisso mais e mais. 
  4. Influencia: A pessoa nunca nem imaginou nada do tipo, mas através da influência de alguém passa a gostar.  
  5. Vício em pornografia: A pornografia pode viciar uma pessoa já que ele mexe com nosso sistema de recompensa no cérebro. Assim como no uso de drogas como a cocaína o indivíduo precisa de doses mais altas pra obter o mesmo prazer inicial, na pornografia a dose mais alta é o diferente. Vídeos que ficam se repetindo vão perdendo a graça. Nesse contexto ele pode ter no scat o algo novo, a dose mais forte, já que se aproximará do bizarro. A sensação de ter encontrado algo super diferente o fará investir ainda mais nisso. 

 

Isso não são leis objetivas, até por que podem ter junções. É possível, por exemplo, juntar o número 1 com o 4: a pessoa ama ver vídeo de mulheres mijando, vive vendo câmeras escondidas, mas nunca pensou em nada além disso. Porém, algum amigo que gosta de scat descobre e mostra vídeos soft scat e a pessoa que nunca nem pensou nisso passa a gostar, entendeu? Podem haver junções que expliquem melhor sua realidade.  

Contato com algumas dessas portas de entrada + ambiente psíquico propicio= capacidade de criar o condicionamento. 

Vale ressaltar -caso não tenha ficado claro- que esse processo não é percebido pelo indivíduo como condicionamento. É como se fossemos levado por uma correnteza. Chegando na praia, temos a ilusão de achar que “nascemos pra isso”. 


 

Generalização de estímulo – 


Uma das coisas que eu percebi na comunidade é que é esperado que um scatter tenha outros fetiches pig. A ciência explica isso. Pavlov nos mostrou no seu experimento, acompanhe: 

Os cachorros de Pavlov eram condicionados a salivar ao ouvirem uma sirene que era tocada antes do alimento chegar. Imagine que essa sirene tivesse um som agudo

Depois que o cachorro já foi condicionado com esse som, uma outra sirene era tocada: uma com o som grave

A resposta dos cachorros era a mesma! 

Ou seja, o cachorro foi condicionado a salivar com o som agudo, mas passa a nos dar a mesma resposta com o som grave pois ainda que esses estímulos sejam diferentes, são compreendidos pelo cérebro como iguais por serem parecidos. Logo, passam a dar o mesmo resultado condicionado. 

Um dos experimentos mais polêmicos e controversos da psicologia é o do pequeno Albert que foi feito em 1920 no hospital universitário The Johns Hopkins Hospital. Albert era um bebê de 11 meses. O psicólogo John Broadus Watson queria mostrar como que os nossos medos/fobias são aprendidos ao longo da vida, não sendo genéticos, utilizando-se dos conhecimentos de condicionamento clássico de Pavlov.  

O cara simplesmente começou a criar fobias EM UM BEBÊ, acredita? 

Ele mostrou um rato, um macaco e um jornal pegando fogo para o pequeno Albert e ele não se assustou. O psicólogo sacana percebeu que uma das únicas coisas que assustavam a criança era um barulho alto. O que ele fez então foi começar a mostrar o rato branco e, junto a isso, batia com um martelo em um cano de metal, gerando um barulho estridente que assustava o bebezinho. Através do condicionamento clássico, o simples fato de aparecer o rato já fazia com que o bebê começasse a chorar muito. 

Ele tinha criado um medo fortíssimo no inocente Albert. O mais triste foi ver a generalização de estimulo em ação: tudo aquilo que era parecido com o rato banco começou a fazer com que o pequeno Albert ficasse com medo. Ratos, cachorros, coelhos, casaco de pele e até mesmo uma máscara do Papai Noel fazia com que Albert entrasse em pânico e tentasse fugir. 

Depois de 11 meses, o psicólogo tentou reverter o processo, sem sucesso. 

Essa é a generalização de estímulo que está presente na nossa na nossa vida e, também, nos fetiches. Uma pessoa que passa a se interessar, por exemplo, por sadomasoquismo e o mundo BDSM, dificilmente sentirá prazer com apenas uma prática desse universo. Ela quer prazer através de velas, cordas etc etc (não conheço muito sobre as práticas BDSM hahaha). Mas você entendeu. 

É isso que explica o fato da maioria dos scatters terem outros fetiches pig. Eu por isso que eu não concordo com a teoria de que scat fetiche é genético. Se fosse, a generalização de estímulo não faria sentido. 


Scat e as mulheres –  


“Ela conversa com você ou só te responde? ” 

Se em aplicativos de relacionamentos como Tinder e Badoo ou mesmo na vida real você tiver um comportamento criativo e propositivo, certamente vai achar mulheres muito interessantes que, de fato, conversam com você. Uma conversa boa é aquela onde há engajamento das duas partes. Mas se você encontrar uma mulher aqui ou pela internet que diz gostar de scat, a pergunta a cima estará presente na sua cabeça, mesmo se você for criativo e propositivo. O que não é agradável, acredito eu. 

Mas elas não fazem isso por maldade. Você faria o mesmo caso estivessem no lugar delas. Se você entende o básico de economia, sabe que a oferta e demanda é uma lei presente aqui. Aquilo que tem demais, tende a ir perdendo o valor. Tem homem demais se comparado ao número de mulher. 

Mas fica pra nós a pergunta: por que poucas são as mulheres que gostam de scat?  

Mais uma vez a ciência vai nos ajudar! Dessa vez, o grande Biólogo e naturalista Charles Darwin, pai da teoria da evolução que hoje é a base da biologia moderna. 


Seleção sexual - 


Existe uma teoria científica chamada teoria da seleção NATURAL desenvolvida por Charles Darwin e Alfred Wallace que explica o processo evolutivo das espécies. De forma resumida, seleção natural é o processo pelo qual o mais apto sobrevive, preservando somente as características úteis para a adaptação dessa espécie no ambiente. 

Porém, se você já viu um pavão, deve ter percebido que ele tem uma calda gigantesca. Essa calda gasta muita energia, é pesada, atrapalha na hora do voo e deixa o animal bem mais visível aos predadores e mesmo assim prevalece geração em geração. Ela é linda mas...serve pro quê? Perceba que essa característica do pavão vai totalmente contra a ideia de seleção natural, já que ela confere desvantagens consideráveis ao animal. Como explicar? 

Foi pra responder essa pergunta que Charles Darwin propôs a teoria da seleção sexual que se define como: 

Luta entre os indivíduos de um sexo, geralmente os machos, pela posse do outro sexo. 

Nesse caso, a calda do pavão passa para os seus descendentes não por que ela ajuda na sobrevivência, mas sim por que ela é atrativa para as fêmeas. Ou seja, simplesmente por que ela é sexy

Quanto maior e mais colorida for a calda de um pavão, mais parceiras sexuais ele vai ter, logo, mais genes ele vai passará adiante e maiores são as chances da próxima geração ter caldas tão extravagantes quanto, ou mais. 

O extinto dos machos é fertilizar o máximo de fêmeas possíveis, já os das fêmeas é escolher o melhor macho possível pra ser fertilizadas. Eles buscam quantidade, elas qualidade. 

Perceba: um macho consegue fertilizar várias fêmeas em um curto período de tempo, já as fêmeas só podem ser fertilizadas por um único macho por vez. Só depois de muito tempo ela vai poder ter outra prole com outro macho. É por isso que ela precisa escolher bem. Se ela escolher mal, não só as vidas de seus filhotes correm risco, como a dela também.  

A mesma seleção sexual que aconteceu e acontece na natureza, foi também a realidade do ser humano no passado. A fêmea humana também fazia a seleção sexual, tendendo a escolher os machos com a maior capacidade de resolver os problemas que lhes envolviam.  

O que aconteceria se uma mulher, no passado, vivendo em um ambiente hostil e perigoso, sentisse muito prazer com qualquer macho que encontrasse por ai?  

Ela se tornaria menos seletiva. 

Se uma mulher sentisse muito prazer com qualquer um, ela simplesmente escolheria transar qualquer um, já que seria o prazer que há motivaria. Se ela escolhesse qualquer zé ninguém simplesmente por agir pensando no prazer, a chance de ela e seus filhos morrerem aumentaria muito. 

Isso definitivamente não quer dizer que as mulheres não conseguem sentir muito prazer. O que acontece é que a forma como uma mulher vai obter muito prazer tenderá a ser diferente da forma como um homem vai sentir muito prazer. 

A jornalista Nathalia Ziemkiewicz, dona do site e canal no Youtube “Pimentária” diz:  

“ O que desperta o tesão em homens e mulheres geralmente são coisas bem diferentes. Os homens costumam ser mais visuais. Eu brinco sempre que se o homem vê a mulher saindo do banho, ele pode estar com essa mulher a 20 anos que é capaz que ele fique excitado, pronto pra transar. Já eu posso ver meu marido andando pelado pra lá e pra cá e isso não necessariamente vai me dar vontade de transar na hora. Por que? Por que as mulheres precisam de fantasia, elas precisam de contexto. O sexo pra mulher começa muito antes de a calcinha parar no chão. Eu sempre digo isso. Começa de manhã quando o cara vem dizer que você está linda, que você está gostosa, quando ele repara em você, quando ele faz uma gentileza. Tem muito mais a ver com você se sentir especial e pronta do que com esses fatores externos do tipo o cara ficar passando com o pau na sua cara. Por isso o sucesso dos livros eróticos como 50 tons de cinza. Os livros são absolutamente descritivos, ele diz que som estava tocando naquele momento, qual era a roupa, qual era o cheiro que estava no ar. É muito natural que as mulheres se excitem dessa forma, se sentindo envolvidas por essa narrativa.” 

Quando, no passado, uma mulher entendia um homem como foda por causa do contexto, ou seja, ele era foda no sentido de resolver problemas, ser líder etc, ela passava, por esses motivos, a ter uma capacidade cada vez maior de se excitar por ele. Ele seria, na visão dela, o homem certo pra se reproduzir. Por outro lado, o homem precisava estar pronto a qualquer momento pra engravidar uma mulher. Assim que surgisse a oportunidade, ele tinha que está ali, excitado. Se fosse mais de uma mulher, ele tinha que conseguir engravidar quantas fosse necessário.  

Mulher evoluiu pra preferir qualidade, homem quantidade. Por isso um homem consegue se excitar só de ver uma foto de uma mulher seminua. 

Se você for agora no Twitter e pesquisar: “Vendo nude pack” irá perceber que 99,9% dos vendedores são mulheres. Mas ué, mulher não gosta de ver foto de homem pelado? Depende do homem e do que ele representa pra ela. Se eu passar o dia todo enviando a foto do meu pau na DM pra mulheres aleatórias, vou terminar sendo denunciado por quase todas. Se uma mulher fizer o mesmo, vai receber inúmeros convites para um date. Isso não é uma regra, mas sim uma tendência. 

Observando experimento do psicólogo Rachman que demonstrou experimentalmente como podem ser desenvolvidos os fetiches no artigo “Sexual Fetishism: an experimental analogue”, você percebe que ele teria muito mais dificuldade de fazer isso com uma mulher. Quem disse que ao mostrar foto de homens “desprovidos de vestimentas” faria com que uma mulher ficasse excitada? 

A excitação sexual é instintiva para ambos, porém, a forma como os dois chegarão a ela tende a ser diferente. Nesse caso, falando apenas de probabilidade, é muito mais provável que o condicionamento clássico que promove o fetiche aconteça nos homens, já que eles estarão, com mais facilidade, com a “bala na agulha” que gerará a associação tão essencial para o condicionamento. Isso é evolução. 

Mais uma pedra no sapato de quem diz que nasceu scatter e isso que é biológico: mulheres. Se eu afirmo pra você que o homossexualismo é genético, biológico, isso é corroborado pela realidade. Da mesma forma que existem vários homens gays, também existem várias mulheres lésbicas. Mas o que explicaria esse “gene pig” quase que só se manifestar em homens? 

Eu não tenho dúvidas de que SIM, existem mulheres que curtem scat. Porém, eu também não tenho dúvidas de que a probabilidade de uma mulher desenvolver isso é muito menor pelos motivos que eu já expliquei. E nada disso é minha opinião. 

A minha conclusão é que o scat fetiche é desenvolvido através de um processo inconsciente de condicionamento clássico. São amplos os estudos nessa área que mostram com clareza. Caso você tenha interesse, posso também envolver o psicólogo Skinner e seu condicionamento operante além dos estudos da neurociência.  


Contato pelo twitter: @FeelipeEven


Leia também: As 5 possíveis (e não comprovadas) Teorias de como alguém pode gostar de Sexo com Cocô (SCAT).

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