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sábado, 2 de julho de 2022

Enviado: Uma carta de amor suja e porca.


 Enviado pelo Leitor Texto enviado por um leitor do blog.
por Ric, gay, interior de SP. 

*Por razões de segurança, não coloquei todos os nomes.* 

Escrevi esse relato porque precisava compartilhar minha felicidade com alguém que entendesse. Agora que foi pedido para ser publicado no blog, eu não podia deixar de escrever. O que espero é que confiem nos seus sonhos e não desistam de um amor como eu estava desistindo pela dificuldade que a sociedade impõe sobre tudo que considera diferente. As vezes duas almas gêmeas estão lado a lado, chegando ao limite para manter a pose de normal perante a sociedade. Só que isso não vale a pena.

Comecei minha vida sexual muito cedo, ainda no fundamental. Tenho mais 3 irmãos, então meus pais realmente faziam vista grossa pelo tempo que cada um demorava no banheiro em sua adolescência. Fui crescendo, tendo minhas primeiras experiências sexuais e com 19 anos conheci um menino. Não era uma paixão avassaladora, mas até então era a mais forte que eu já tive. Não preciso nem contar que quando falei pros meus pais o drama foi grande. Murros na parede, confisco de celular, minha mãe culpava a mídia... Aceitei a sugestão do meu irmão mais velho. “Finge que é só uma fase”. E assim minha vida seguiu. Horas intermináveis no chat do UOL me exibindo para tarados que queriam ver um novinho enfiando cabo de martelos no cu pela webcam e encontros com “meninas”. Nessa época conheci o QueroScat e o ThisVid, mas não tinha coragem ainda de fazer muita coisa. Eu já havia experimentado um pedaço da minha merda, mas não com fins sexuais. Meu mijo a mesma coisa. Eu sempre senti tesão por sujeira, não só merda, mas sujeira mesmo. Até o dia que entrei no chat da UOL e um cara que se dizia dominador perguntou se eu topava fazer tudo que ele quisesse. Falei que sim. Ele ressaltou “tudo mesmo? Sem questionar?”. Falei que sim. Ele nunca ligou a cam, mas sei que ele não era muito bonito, então nunca tive curiosidade em saber como ele era.

Aquela Cam X Cam normal. “Tira a roupa, deixa eu ver sua bunda, enfia um dedo, agora enfia dois”... Até o momento que ele perguntou se eu faria tudo mesmo e respondi que sim e li a mensagem “caga pra mim”. Eu sorri quando li aquilo. Finalmente eu ia realizar o fetiche. Ia saber se era bom ou ruim. Caguei um pouco na mão e mostrei pra ele. Achei que ele só queria isso quando li “lambe a merda”. E lambi. Depois engoli com a ajuda do meu mijo. Foi bom. Eu corria o risco de ter sido gravado, mas no dia seguinte isso me dava mais tesão que medo. Lembro que acordei radiante pra ir na escola. Eu havia comido minha própria merda com outro cara olhando. Terminei o colegial. Minha mãe queria que eu fizesse faculdade, qualquer faculdade. Eu considerei Direito, mas mudei de última hora para Design Gráfico. Isso foi em 2015. Nessa época, com 20 anos, eu já ia pra SP (moro no interior). Lá ficou mais frequente em encontros comer merda. Tive alguns lances com uns caras. Alguns muito fortes, outros de momento. Conhecia pelo Tinder, Hornet, Grindr... Foi em SP que conheci um dos maiores porcos que já vi na vida e me ensinou muita coisa, especialmente que se eu não aguentar e vomitar, o vômito também pode ser gostoso. Eu o amava, ele era meu mestre. Era como meu “sensei da merda”.

Acho que as culturas do interior de SP e da capital de SP são bem diferentes. Onde moro é uma cidade pequena entre duas cidades que agem como se fossem uma só. Em SP você acha todo tipo de gente. Aqui onde moro, existem nichos. Uma “elite”, um grupo de rappers, os estudiosos... As pessoas são muito bem divididas e as famílias mais tradicionais mandam muito na cidade. Eu tenho um pensamento de certa forma antiquado. Muitos que me conheceram em SP disseram que sou mal, ou que gosto de ver pessoas sofrendo. Não é assim. O local onde moro depende de aparências. Sou de família tradicional. Se eu não sou o playboy que sai com o carro com o som estralando na frente da faculdade, por mais babaca que eu ache isso, as pessoas vão falar. Tive um amigo que hoje é gay assumido e afeminado, frequenta boates de drag queens em SP e nunca se importou com o que pensavam dele. Mas quando ele andava comigo na escola, eu ouvia perguntas de todo lado “você é gay?” Entrei na faculdade em 2015. Lá eu conheci o “P”. Ele era minha paixão. Cabelo longo, tatuagens espalhadas, skatista. Eu vinha pra casa pensando nele, ia na faculdade pensando nele e ao chegar lá eu ficava o maior tempo possível perto dele. Nunca gostei de estudar, então o período da faculdade foi perfeito para aumentar meu círculo social. É, a gente vivia no bar. Passava mais tempo no bar que em sala de aula. Eu, ele, alguns amigos e umas duas ou três meninas que sempre iam atrás dele.

Foi numa dessas idas no bar que um rapaz de regata verde se aproximou. Eu não estava nas melhores condições, mas lembro que olhei aquela pele branca, aqueles braços fortes, aquele sorriso de lado. Ele tinha ido pedir seda. Conversa vai, conversa vem, ele me olhou “por que não sentam lá com a gente?” e assim fomos numa mesa de pedra em uma pracinha escura enquanto devíamos estar em aula. Minha mãe sempre disse que os amigos da faculdade são os que ficam pra sempre e de fato, lá conheci meus dois melhores amigos. O rapaz de regata verde se chamava “T” e o melhor amigo dele tinha o mesmo nome do meu amigo. Vamos chamar meu amigo de “P” e o outro de “PE”. Eu, “T” e “PE” formamos uma amizade forte. Eu mudei pra Direito. PE estava um semestre a mais que eu. “T” fazia engenharia. Mais que amigos, éramos como irmãos. Comecei a nutrir um amor pelos dois que mantive para mim, já que eram héteros. Bom, eu achava, já que “T” namorava e “PE” sempre levava uma mina diferente pro mato escuro da facul e voltava sorridente alguns minutos depois.

A faculdade queria fechar a atlética, formada por alunos de semestres mais avançados. Nessa época eu havia desistido de Design e ido para Direito. Com a ajuda do meu professor de penal, eu e um amigo da sala fizemos um novo estatuto para a atlética. “P”, ainda no Design, mudou as cores de marrom e laranja para vermelho e branco. Eu sempre usei uma jaqueta TNG Varsity e essa se tornou o uniforma da atlética. Meu amigo virou presidente da atlética, eu vice. Foi um período maravilhoso. A gente tinha uma sala só nossa, todo mundo queria vestir nossa jaqueta (a Varsity, diferente das jaquetas colegiais comuns, é mais fina e tem um tecido mais brilhante e não fosco como as jaquetas comuns). Bom, ficamos conhecidos como os “meninos da atlética”. A faculdade sempre foi rodeada de bars. Quarta, quinta e sexta era dia de festa e sábado era dia de ir num bar mais sofisticado só com os melhores amigos. Domingo reunia eu, “T” e “PE” na pista de skate com um fardo de Heineken ou em nossas casas. Nossos pais já se conheciam. Cidade pequena. Como eu já disse, a cidade fica no meio de duas outras cidades maiores. E começamos a receber convites de pessoas que estudavam na faculdade, mas moravam nessas cidades. A vida era uma festa pra gente e não parecia ter hora pra acabar. Mas no meio de toda essa felicidade, eu via o “T” triste. Ele se afastava, gritava no celular, jogou o celular dele na parede uma vez longe de todos. Mas eu o amava, e sempre que ele saía eu ia ver se ele estava bem.

Nós 3 morávamos em condomínios vizinhos. O condomínio do “PE” ficava de frente pro meu e do “T” ao lado do meu. Ficam indo para a região rural da cidade. Foi num desses dias, voltando da cidade vizinha, só eu e “T”, absurdamente chapados, que vimos uma blitz na estrada. Entramos em pânico. Na época um cara do meu condomínio atropelou uma senhora muito querida na cidade por estar dirigindo bêbado. A polícia estava louca por filhinhos de papai bêbados. “T” entrou com o carro em um canavial e desligou os faróis e o som. E ficamos lá quietos, só o som da nossa respiração. Podíamos ver as luzes pelo espelho do carro. Aos poucos, menos em choque, começamos a conversar e brincar um com o outro. Foi então que ele começou a contar que odiava a mina dele. Ele havia se machucado, mas pouco importava pra ela, eles iam num casamento no domingo. Chocolate só da marca que ela gostava, ela demorava horas pra se arrumar, ele pagava tudo no bar... A típica patricinha de cidade pequena. Ele usava palavras fortes pra se referir a ela, chamando a menina de puta, vagabunda, desgraçada... Foi quando ele encostou a cabeça no banco e disse “a vida seria mais fácil se só existissem homens”. Eu tinha que manter a pose de macho. Tinha um cara bombado falando isso do meu lado. Falei que não, que mulher era a melhor coisa do mundo. Que não tinha nada melhor que lamber uma bucetinha. E ele falou “imagina ter um parça do seu lado pra jogar futebol, videogame, sem nunca reclamar e compartilhar a alegria de matar um boss difícil com você”.

Sabendo que ele tava louco, eu pensei “posso tirar uma casquinha”. Eu não ia fazer nada, mas coloquei a cabeça no ombro dele. Ele me olhou. Eu o olhei. Ele parecia um anjo. A pele tão branca, os olhos de um negro profundo, lábios finos, cabelo curto... Eu podia ficar horas olhando pra ele e sentindo o calor da pele dele no meu rosto. Eu me considerava incapaz de amar, dizia que nunca ia querer outra pessoa do meu lado enchendo meu saco, me dizendo o que fazer, mas naquele momento eu sabia o que era amor. Eu poderia viver o filme “Thelma e Louise” ao lado dele com o mesmo final, desde que estivéssemos juntos (eu realmente pensei isso dado que tinham viaturas alguns metros de nós). Foi quando ele olhou meu nariz e falou “seu nariz tá escorrendo”. Eu ia puxar pra dentro de novo quando ele lambeu. Eu demorei uns segundos pra entender e falei “ei, isso era meu” e ele “perdeu. Se tá fora do seu nariz é meu”. Avancei nele e lambi o nariz dele. Enfiei minha língua fundo sentindo aquele ranho salgado dentro de uma narina. Ele subiu o rosto e lambeu meu lábio, lambi o dele e ele então abriu a boca. Saliva, ranho, tudo misturado enquanto nossas línguas brigavam por espaço na boca um do outro. Ele enfiou a mão na minha calça e me desesperei. Falei pra esperar, mas ele enfiou o dedo do meio no meu cu e vi estrelas. Era bom pra caralho. Ele tirou. “Você cagou no meu dedo”. Eu avancei e lambi. Lambi como se fosse um doce. Ele apenas olhava com um sorriso sacana. Ao que acabei, deixando o dedo dele limpinho, ele levou na boca e falou “é, só ficou o cheiro”.

Chegamos em casa são e salvos. Mandei mensagem pra ele perguntando se ele tava louco ou o que. Achei que ele ia espalhar pra faculdade toda, mas ele só falou que tava cheirando o dedo. Perguntei se ele gostou e ele perguntou se podia me ligar pra gente bater uma punheta juntos. Eu não sabia, mas assim como eu observava ele, ele me observava. Ele encontrou uma conta antiga minha no Tinder através de um amigo onde dizia que eu era passivo e mais um monte de besteira adolescente. Eu não duvido que ele achou meu número num classificado nesse blog que deixei muitos anos atrás. Mas o que fez ele perceber foi o dia que ele foi mijar numa sarjeta escura da faculdade e assim que ele terminou falei que perdi algo importante lá. Fui com meu lenço e tentei absorver no tecido o máximo de mijo que ele havia deixado pra então cheirar e lamber aquela urina salgada, um pouco amarga pelo whey que ele tomava. Ele viu. Eu sei que viu. Os dias passaram diferentes. Ele levava bebida pra gente beber só nós dois, me levava chocolate, comprava bombom pra mim... Era um macho alfa querendo conquistar a fêmea. A gente trocava umas putarias vez ou outra, mas não nos beijamos mais. A gente fingia que aquele dia não aconteceu. Tudo ainda era muito confuso. Eu ia pra SP, saía escondido com outros caras, ele continuava no teatro com a patricinha dele. Um dia, quando o “PE” levou uma mina pro escuro, pedi pra uma amiga pra gente ir espiar. Eu queria ver o pinto dele. Não rolou. Ela entendeu errado e chegando no escuro quis me beijar. Naquele dia meu bolso estava cheio de bala que o “T” comprou pra mim. Eu senti que se beijasse a menina ia trair ele. Falei que precisava falar com ele quando cheguei em casa. No dia seguinte sentamos num banco em uma área isolada da faculdade onde o povo da reitoria ia fumar e o acesso era restrito (mas a gente ia lá mesmo assim) e conversei com ele. Falei que não dava mais pra fingir que nada tava acontecendo entre a gente. Ele chorou, eu chorei. Fui triste pra casa achando que aquele era o fim de tudo. Eu queria mais um beijo. Eu imaginei que minha relação com ele nunca mais seria igual.

No dia seguinte ele me chamou numa área escura. Ele sempre levava marmita por conta da academia. Era batata doce, ovo ou um pão de forma e uma tapauer de carne moída que ele virava no pão e amassava outro em cima. Nesse dia ele levou dois lanches. Um era com Nutella pra mim. Quando mordi senti o sabor da Nutella e o gosto amargo que eu sabia ser de merda. Meu corpo quis devolver, mas engoli lacrimejando. Ele mastigava o lanche dele e ria. Eu mordi outro pedaço e parti pra cima da boca dele. Pra minha surpresa ele abriu. O que eu mastigava foi pra boca dele, o que ele mastigava foi pra minha. Posso dizer que isso foi um avanço na nossa relação. Eu pedia cachorro quente, ele queria, eu mastigava e jogava na boca dele. A mesma coisa quando era comida dele. Se beijar lambendo o nariz tinha virado rotina. Nas festas, ele mijava numa latinha e me dava. Bêbados, a gente mijava na rua e tentava um molhar o outro. A gente parecia dois jovens descobrindo que tinha pinto e podia usar ele pra mijar de maneiras criativas. Começaram os primeiros boquetes. Um dia, saí escondido (eu ainda era bancado pelos meus pais) e meu irmão do meio, um fofoqueiro irritante, estava sentado do lado de fora de casa mexendo no celular como se o tempo fosse infinito. 30 minutos e o “T” precisava mijar e não podia ser no carro. Foi a primeira vez que tomei todo o mijo dele de golada. Havia um canal que fazia desafios na gringa e uma vez, quando fui na casa dele, ele quis tentar. Era basicamente dois malucos fazendo um bolo com o próprio vômito. Seguimos a receita. Não ficou um bolo bonito, mas tinha um recheio cremoso com tudo que saiu do meu estômago e do dele. É, tenta imaginar dois idiotas brincando de receitas. Quando ele foi em casa, mijei numa panela, coloquei o miojo, ele cagou e colocou em cima. Experiência própria, não façam, pelo menos com o sabor de carne. Ficou terrivelmente amargo. Ele vomitou em cima do miojo. Ficou melhor. Parecia queijo. Ainda assim ele nunca gostou de vomitar. Dava a sensação que estava passando mal e ele não gostava dessa sensação. Começamos a passar mais tempo juntos. De motel, passamos a alugar quarto de um hotel na estrada. Eu ria no café da manhã quando ele passava o pão no suvaco pra gente comer. Descíamos como dois amigos pra almoçar. Passávamos o final de semana inteiro juntos. Ele já havia terminado com a mina dele o que possibilitou que a gente saísse da faculdade na sexta e só voltasse pra casa no domingo. As vezes rolava porquice, as vezes a gente só queria um romance de leve ou só um sexo básico e ficar de bobeira com papo de cama, imaginando uma vida a dois.

Bem, isso caracteriza namoro. Cada vez ficava mais claro que o que a gente tinha não era só amizade. A gente passava quase o tempo todo juntos, pensando um no outro, falando pelo Whatsapp e, quando juntos, se beijando, se acariciando e até comendo a merda, ranho ou qualquer fluído corporal do outro. O problema, como meu irmão esnobe diz, é “eu sou rico e chamo atenção”. Por mais prepotente que pareça essa frase (e é), dois “playbas”, como chamavam a gente, passando cada vez mais tempo juntos e menos tempo no bar ou nos vários rachas que a gente costuma fazer numa avenida em obras aqui da cidade chama a atenção. E o “PE” nos chamou. Disse que as pessoas estavam comentando e queria saber o que estava acontecendo. Entre os membros da atlética e o resto da faculdade dava pra disfarçar, mas o “PE” já havia se tocado de muita coisa. Nos reunimos no bar. Eu, ele, “PE”, nosso amigo João e a irmã dele. Mais duas pessoas de confiança. A gente queria contar, mas era complicado. Falamos tudo, escondendo as partes porcas obviamente. Os 3 entenderam muito bem e minha amiga perguntou se a gente estava namorado. Ficamos sem resposta. Num domingo, João chamou a gente pro haras do pai dele. Há uma área lá perto do rio onde tem um campo de futebol. Nossos pais se conhecem, e assim como meu pai tem um campo em casa, o pai do João tem um no haras. Nossos pais tinham acabado de jogar futebol e o João perguntou se a gente não queria ir lá. Achei que seria com ele, tipo um churrasco, mas não. Era só eu e meu amor. Lembro no por do sol, ele ajoelhando e me mostrando a aliança de namoro. Sem nomes, nada. A gente não poderia usar, ia dar na cara, então ele comprou um colar com uma cruz e colocou a aliança junto e eu uma dog tag onde a aliança ficava escondida atrás da segunda plaquinha. Naquele dia comemos merda de garfo e faca e o bonito teve a brilhante ideia de pular no Rio Tietê, que na parte do haras é raso. Aqui onde moro o Tietê ainda é bastante sujo, mas não tanto quanto São Paulo. O problema maior são espumas tóxicas e esgoto. Ele só pegou uma micose que eu passava pomada sempre. Aquele dia a gente fez muita porquice, rolamos no mato sujos de merda, até eu peguei um fungo nas costas que um shampoo milagroso que a médica passou fez sumir em alguns dias. Enfim, até hoje chamo ele de Aquaman do Tietê. Ainda assim, cidade pequena, as pessoas falavam. Eu não era muito educado com pessoas de fora da atlética, e me arrependo por isso. Hoje muitos colegas de profissão que poderiam me ajudar viram a cara pra mim por não ter aceito eles na atlética, ou ter sido grosso. Ora, a reitoria puxava nosso saco, a gente podia fazer o que quisesse, subiu um pouco pra cabeça. Fizemos muita putaria na sala da atlética, sempre tomando cuidado, mas algo a gente deve ter deixado passar. O presidente da atlética era um “amigo’ nosso que estudava comigo. Ele não era falso, mas eu, “T” e “PE” tínhamos treta com um rapaz chamado Victor, grande amigo do "R". Ótimo no basquete, péssima pessoa. Ele perdeu a mãe muito cedo e não tinha muitos motivos pra viver. Era uma pessoa depressiva, que tinha atração em se autodestruir. Hoje ele é o único do grupão que não se formou. Ele e eu tivemos algumas diferenças. O ano era 2019. Em 2020 a gente iria decidir se trocava O “R” ou o deixava no comando da atlética. E o “T” queria ser presidente da atlética. Eu adorava a ideia. O presidente e o primeiro-damo (sei que isso é ridículo). A gente chegava em média as 18:30. Naquela sexta de outubro chegamos eu e meu agora namorado as 17:00 porque fomos juntos numa academia nova que abriu perto da faculdade. Aproveitamos pra usar os chuveiros do vestiário que a gente tinha acesso irrestrito e começamos uma brincadeira. Nada de scat ou sujeira, só sexo. E foi naquele dia que não sei por qual raios o “R”, presidente da atlética chegou cedo também que viu eu na pia com o pau do “T” dentro de mim. Ele só disse “eu sabia”.

Comecei a chorar, “T” mandou eu me vestir e ficar calmo, mas eu não conseguia. Mandou eu ir pra aula. Não sabia como eu ia entrar. Entrei e ninguém me olhou fora o “R” e os puxa sacos dele. A notícia não tinha se espalhado. Era aula de Direito Constitucional. Eu tremia. Não conseguia me concentrar na aula. Estava tendo uma crise de ansiedade, mas se eu saísse ele ia espalhar a fofoca. Desejei que aquela aula durasse pra sempre, mas o intervalo chegou e lembro que minhas pernas falharam ao subir a escada pra atlética. Cheguei lá. Todo mundo lá. Queriam saber o que estava acontecendo. “T” entrou comigo, pegou na minha mão e foi sucinto: “Faz um tempo que a gente tá namorando. A gente não achava que vocês precisavam saber, mas agora vocês sabem. É isso”. Eu ia emendar um “cada um cuida da sua vida”, mas tinham gays na atlética e tinha meninas. E as pessoas foram mais receptivas do que eu esperava com palmas, gritos, urros. Eu fiquei mais calmo. Ainda assim isso gerou uma ruptura que já estava se formando na atlética. O “grupão” se dividiu em dois grupos. Nosso grupo ficava num bar, e o do “R” em outro. Eu sabia que em 2020 as coisas seriam difíceis. “R”, apesar de toda a grana que tinha, fez amizade com um menino, o Otavio. E ele era meio comunista. Ele odiava eu, T e PE e queria a vice presidência da atlética de todo jeito. 2020 chegou. Após muita foda e sujeira nas férias a gente tava de volta, organizando o trote. O trote correu bem e nas primeiras semanas de aula teve alguns jogos do SPFC (eu e meu macho torcemos pro mesmo time) que toda a atlética foi no mesmo bar assistir, mas eu sabia que a hora do racha, a hora da briga ia chegar e homofobia ia ser a arma do outro grupo. Eis que numa sexta-feira eu falei “até segunda” pros meus amigos e essa segunda nunca chegou. A pandemia surgiu. Meu pai teve que fechar algumas das suas lojas de carro, continuar pagando os vendedores em casa, o pânico do vírus, o medo, a irritação do meu pai, o estresse da minha mãe, meu irmão na época com 15 anos querendo sair escondido pra transar. Hoje parece bobo, mas quando o vento batia em mim em tremia achando que ia pegar uma doença sem cura e morrer agonizando sem ar (ainda acontece, tomem vacinas). Não tinha coragem de sair de casa. 4 meses sem ver meu amor. Ele mandava mensagens, a gente cagava e mandava fotos, mas eu chorava achando que ia perder ele. E comecei a pensar que ele tava com outro, ou tinha voltado com a menina, ou tava pegando menina e não queria saber de homem. Ou ele arranjou um menos paranoico. Ele entendia meu medo do vírus e sempre me ligava pra eu ficar calmo, mas eu tinha medo de estar sendo traído ou ser o responsável por esfriar nossa relação. Então um belo dia ligaram no interfone de casa. Tinha uma encomenda pra mim. Fui na portaria, um pacote selado da Avon. Achei estranho. Ninguém usa Avon em casa. Cheguei no meu quarto e abri. Um consolo enorme de 19 cm. Grosso. Um bilhetinho com coração daqueles de livraria “se arromba bastante que quando a gente se ver vai ser melhor pra vc”. E a assinatura dele. Toda noite eu enfiava aquilo no cu. Toda noite ele queria ver. Chegou um momento que o negócio ficava se mexendo lá dentro. Até o dia que tomei coragem e saí pra ver ele.

Ele falou com o João. Fomos no haras. Mesmo lugar. No campo. Entramos no vestiário. Levei o consolo na mochila. Ele me fudeu com o consolo e me fistou pela primeira vez. Nenhum dos dois sabia direito como fazer, mas foi bom. Ele enfiou o punho e cagou enquanto fazia isso. Fiquei largo e com uma vontade de cagar que não passava. Deitamos pra ver o por do sol sujos de merda. Ele parecia um índio indo pra guerra com duas faixas de merda na bochecha. Eu estava largo. Meu cu não parava de peidar. Fazia um som gutural e a gente ria toda vez. Nós de cueca. Senti um cheirinho. Ele tava fazendo de novo na cueca. Ele foi até um bambuzal, trepou no bambu e se esfregou. Um amigo que eu praticava scat antes da gente namorar já havia feito isso e eu falei pra ele. Ele adorou a sensação.
Tomamos banho, comemos os toletes restantes, limpamos a bagunça e quando a gente ia sair ele pegou na minha mão e me deu uma aliança. Dessa vez com nossos nomes. Cheguei em casa em êxtase. Eu chorava e não era do meu cu latejando. Perdi o medo. Ia na casa dele, quando ambas as casas tinham gente a gente ia num lugar cheio de mato que achamos na estrada ou motel mesmo. O que a pandemia tinha quase esfriado agora tinha voltado com força total. Experimentamos fetiches a rodo em motéis. Ele pediu pra eu me vestir de mulher, fiz isso, mas não curti. Ele até gostou (comprou uma calcinha vermelha escrito “me come” pra mim), mas eu não curti. Ele entendeu. Tentamos usar cordas, ele não gostou. Cera de vela, nenhum de nós gostou. Enfim, fomos conhecendo mais o limite de cada um, fomos redescobrindo o corpo de cada um. Spermplay virou nosso hábito. Passei a sair todo dia pra correr com ele, parávamos no mato as 10:00 da manhã pra um boquete, colocava a porra na boca dele num beijo e voltávamos a correr com a boca cheia de porra. Sozinhos em casa, nossa bomba especial de proteína era o prato principal sempre. Omelete com porra. Caipirinha com porra. Chegamos a procurar um PDF de um livro de receitas com esperma. E claro, sempre rolava uma merdinha aqui e ali. Aprendemos que reciclar merda é no máximo 2 vezes, depois a merda fica com gosto ruim. E os dias iam se passando felizes. Passei a esperar ele pelado próximo da entrada do condomínio, correndo o risco de verem. E entrava no carro sem roupa. Descemos a avenida principal da cidade as 2 da manhã nus enquanto eu me fodia com o consolo. Em janeiro de 2021 sentei pra falar com ele. Nossos pais teriam que saber antes que soubessem por outra pessoa. Foi uma desgraça. O pai dele surtou. Meu pai surtou. Falou que não merecia ter filho viado. Falei que dessa vez não ia desistir porque eu amava o “T”. Falar que ama alguém com sua mãe chorando por esse motivo é algo doloroso. Meu pai passou dias sem falar comigo. O pai dele levantou a mão pra ele e se não fosse o irmão dele ele tinha apanhado. Mas meu pai não tinha o que fazer. Dos 4 filhos dele, o mais velho queria casar com uma menina que ele odeia por motivos pessoais, o segundo mais velho (eu), nas palavras dele, era viado, o do meio namorava uma menina a 4 meses e queria porque queria casar e o mais novo saía escondido toda madrugada pra transar com uma menina diferente. Meu irmão mais novo tinha recebido suspensão da escola por ter sido pego com uma menina chupando ele. Eu era o menor dos problemas do meu pai.

Meu pai e o pai dele se encontraram. Marcamos um dia numa churrascaria. Achei que ia sair briga. Saíram os dois pra fumar. O pai dele é mais velho que o meu. Vi ele gritando algumas vezes, mas meu pai é um homem de negócios e sabe levar qualquer situação. Ele sabia que era uma guerra perdida, ainda mais pelo tempo que estávamos juntos. O pai dele veio até nós no estacionamento da churrascaria. Eu tomei a iniciativa e peguei na mão do “T”. O pai dele só falou “vocês são adultos, façam o que quiserem”. É. Carta branca. Paz. Entramos no carro, passamos no Mc Donalds (a gente não conseguiu comer nada na churrascaria) e foi aquela coisa. Lanche mastigado um na boca do outro. Eu nunca beijei ele com tanta vontade. Logo a gente queria privacidade (e ficar juntos sem o olhar de reprovação familiar) e começamos a ver apartamentos. Meu pai falou que filho dele não ia viver em kitnet. Beleza. Entregamos currículos, algo que todo mundo faz. Um escritório de advocacia me chamou pra ser estagiário e o escritório de um amigo do “T” chamou ele como engenheiro. Tínhamos nosso salário. Achamos um apartamento. 3 quartos, 2 banheiros, 1 cozinha, 1 sala de estar. Pequeno. Negociamos com o “PE”. Ele topou morar com a gente. Ele tinha conseguido um trampo no fórum da cidade que pagava melhor que o meu trampo. Ainda assim não dava todo o dinheiro. Falei com meu pai. De início ele não quis, mas quando viu que havia um terceiro, um hetero top no meio ele topou. Ele deve ter achado que o “PE” ia levar meninas pro apê e “curar” a gente. “PE” teve a primeira experiência homossexual dele e hoje se considera bi. Um quarto do casal, outro do “PE” e outro uma sala de jogos pra gente. No começo de 2022 “PE” saiu. Vazou. Queria viajar, conhecer outros estados. Fazer mochilão com um parça nosso. Ficamos nós dois, mas meu namorado já recebia bem pra cobrir nossos gastos e nossos pais ficaram mais flexíveis pra qualquer emergência. Tivemos mais liberdade pra brincadeiras como não dar descarga, pegar a merda do outro direto da privada e até mesmo cagar na cadeira na hora do almoço, fazer receitas com merda... Enfim, pudemos ter nosso chiqueiro. E aqui escrevo meu relato. Hoje é sexta-feira. Me recupero de uma crise de sinusite enquanto meu bebê chega do trampo pra fazer pipoca e irmos assistir Netflix. Meu irmão mais novo provavelmente vai no bar. Vai continuar uma história que toda geração passa. Um dia, no futuro, meu irmão mais novo talvez esteja na frente do PC na sexta com a parceira dele fazendo pipoca enquanto ele escreve a história de amor dele. Eu achava que sexta era um dia de sair, encher a cara e se não fizesse isso seria um dia perdido. Mas agora fico feliz em ficar embaixo da coberta com o homem que eu amo. Rola uns peidinhos de vez em quando.

O “P”, o menino que começou tudo isso, meu melhor amigo em Design, hoje mora em Floripa. Casou, teve uma filha. PE tá viajando, lá pra Bahia e essa semana começou a namorar uma enfermeira de lá, mas ele é uma pessoa que não fica com outra por muito tempo. O “R” deve estar namorando, nunca mais soube dele. João tá cuidando do haras do pai e casou com uma menina linda. A irmã dele, assim como eu e PE, se formou no curso de Direito, mas ele já tirou a OAB enquanto nós dois estamos na luta. As coisas não estão perfeitas. Mas olhando pra trás e sentindo o cheiro de pipoca queimada na cozinha, vejo que está tudo muito bem. Esse prédio não é muito bom. Povo conservador, tem uma velha no andar de cima que reclama de tudo (ontem reclamou que ninguém fez festa de despedida pro porteiro que pediu demissão). Meu engenheiro gostoso tá projetando uma casa pra gente. Um quarto só, um salão amplo, chão inclinado pra limpar a sujeira depois do nosso sexo sujo e o sonho dele é ligar a privada numa fossa onde podemos usar de piscina. Mas ambos reconhecemos que isso seria inviável por uma série de fatores. Bom, quem sabe? No momento só quero mudar de casa. Por que escrevi esse relato? Porque eu olhei pra trás e vi toda nossa história. Vi dois adolescentes apaixonados lutando por amor. Vi uma chance de mostrar pra pessoas na mesma situação que existe esperança. As vezes seu amor tá do seu lado. As vezes o homem que você ama também te ama, mas fatores sociais o impedem de dizer isso. Tem também o fato que essa história não pode ser compartilhada com qualquer um. Dois meninos de classe média alta comendo merda... Isso é poucos que vão querer ouvir. Mas o mais importante: Na terça, deitados na cama, ele me pediu em casamento. Eu estou noivo. E é do homem que eu amo. Esse blog teve uma importância grande na minha vida e na dele para aprendermos sobre nossos fetiches. Eu queria compartilhar essa história com outras pessoas que curtem o fetiche, mostrar que elas não vão e não precisam terminar sozinhas. Mas acima de tudo é uma carta de amor relembrando como tudo começou. É um relato e uma exaltação do homem que me faz feliz por anos. Que foi corajoso em nome do nosso amor, de passar por cima de tudo. Viciado em café, engenheiro gostoso, maromba safado, meu bebê, meu macho, meu amor. Te amo, Thi! E sempre vou te amar.

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2 comentários:

  1. Parabéns pelo seu noivado. Espero que algo parecido com o que aconteceu com você aconteça comigo, você sempre pode sonhar pelo menos.
    Ps; onde você conseguiu as receitas com merda? Eu gostaria de experimentá-los

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  2. Seu relato enche os nossos coraçõezinhos porcos de esperança. Desejo tudo de bom para o casal. <3 odrau

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