O que é scat?: Entenda sobre o sexo com cocô e a coprofilia.
- Gustavo Scat

- 29 de jul.
- 6 min de leitura
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ESCRITO POR GUSTAVO SCAT.
Sexo é uma delícia. Mas, ao mesmo tempo, ainda é um assunto muito tabu na sociedade moderna. Parte disso é culpa do patriarcado e do cristianismo. Hipocrisia nossa… Afinal, todo mundo sente prazer sexual. Mas como é que um fetiche tão tabu como o scat (também conhecido como fetiche por cocô ou fetiche por fezes) pode fazer parte da vida de alguém?
Primeiro, vamos entender a diferença e os significados dos Termos relacionados ao desejo sexual. Vou te dar uma aulinha valiosa sobre o que aprendi estudando vários livros sobre sexualidade (um hobby meu).
Tome nota:
DESEJOS: É o ponto de partida. Todos nós, seres humanos, temos desejos, e estes são impulsos sexuais naturais. O desejo por “beijar na boca”, por exemplo.
FANTASIAS: São cenários imaginados. São representações mentais que podem ser realizadas ou não. Exemplo: “E se eu transasse com aquele cantor famoso?” ou “Imagino estar transando com o meu ex todas as noites”.
KINK: É um termo guarda-chuva universalmente conhecido para definir práticas sexuais excêntricas, não convencionais ou específicas. É aquele tipo de transa que foge da posição “papai e mamãe”.
A transa convencional (pinto dentro da xereca e nada mais que isso) é conhecida como sexo "baunilha". Sexo kink é justamente o oposto do sexo baunilha.
Exemplos de práticas kink: fingir ser professor e aluno (também conhecido como roleplay), dinâmicas de poder (como o BDSM — Bondage, Dominação, Submissão e Masoquismo), sexo a três (ménage) ou até sexo em público.
Kink engloba todas as práticas sexuais “fora da curva”. Mas a diferença entre KINK e FETICHE é que uma prática pode ser realizada eventualmente; já o fetiche precisa obter foco naquele objeto de desejo para gerar prazer.
FETICHE: Não se perde. Você leva consigo a vida toda e faz parte da sua sexualidade. É essencial no seu sexo e, sem ele, você não tem prazer suficiente. É um foco intenso de prazer sexual (uma fixação sexual) em um objeto ou atividade específica. Exemplos: pés, couro, uniformes…
Ou seja: praticar um “sexo com chantilly” uma vez ou outra na vida significa que você realizou uma prática KINK.
Agora, se o sexo com chantilly é recorrente, faz parte da sua vida e, sem ele, tudo pode parecer “sem graça”… então você tem um FETICHE.
PARAFILIA: É o termo clínico para fetiche. Ambos são a mesma coisa.
Apesar de ser uma palavra “feia”, quem tem uma parafilia (ou seja, um fetiche) pode viver uma vida completamente normal e saudável.
Um exemplo de parafilia é a coprofilia, o nome técnico do fetiche por fezes, também conhecido popularmente como scat ou fetiche por cocô.
PATOLOGIA: É uma parafilia (fetiche) que causa angústia significativa ou prejuízo no funcionamento da própria pessoa. Te faz mal, te adoece. Também pode envolver dano a terceiros não consentidores. Ou seja, se uma prática é feita sem o consentimento de alguém, ela é danosa e, por isso, ilegal. Nesse caso, ela é considerada patológica.
Um exemplo clássico de parafilia que pode envolver dano grave a terceiros é a pedofilia.
Lembre-se claramente de que parafilia (fetiche) é diferente de patologia (um fetiche que gera danos significativos para si mesmo ou para terceiros).
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Depois dessa aula curiosa, voltemos ao nosso assunto: o prazer em cocô!
O termo SCAT surgiu da palavra inglesa scatology e ficou popularmente conhecido dentro da comunidade que pratica esse fetiche. Então, quem possui um fetiche por fezes, também conhecido como fetiche por cocô ou coprofilia, gosta de scat. Simples assim.
Se você chegou até aqui procurando o que é scat, o que é sexo scat, o que é coprofilia ou tentando entender por que algumas pessoas sentem prazer com esse tipo de prática sexual, este texto foi escrito justamente para responder essas dúvidas.
E não há nada de errado em gostar de um fetiche, contanto que tudo aconteça com consenso, bom senso e dentro da lei. Isso você já entendeu, né?
Mas o scat é um dos fetiches mais tabus do mundo. Ninguém praticamente falava sobre isso por aí. É considerado sujo. Errado. Vergonhoso. Humilhante.
Mas, para quem possui esse fetiche, o ato de cagar pode representar outras coisas. Pode significar alívio. É íntimo. É uma produção da própria pessoa. Algo que literalmente saiu dela.
É justamente aí que mora a diferença entre quem olha de fora e quem sente esse desejo. Quem não possui o fetiche normalmente enxerga apenas as fezes. Já quem possui o fetiche scat enxerga uma carga emocional e sexual completamente diferente.
Outra curiosidade é que o scat faz parte de um termo guarda-chuva ainda maior: a prática kink conhecida como PIG PLAY.
Pessoas que curtem sexo PIG sentem prazer em práticas relacionadas a fluidos corporais, cheiros corporais e outras sujeiras. Mijo (golden shower), peido (fart fetish), pelos, suor, cheiro de axila e até menstruação são alguns exemplos.
Ou seja, dentro do universo do Pig Play existem vários fetiches diferentes. O fetiche por cocô é apenas um deles.
Foi por isso que eu resolvi falar mais sobre esse assunto.
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Eu comecei a descobrir os meus desejos sexuais ainda na infância e percebi que a principal caminhada que eu iria percorrer seria a da autoaceitação. Pelo simples fato de não saber se existiam outras pessoas com os mesmos desejos “sujos” que eu.
Então, em 2017 (aos meus 23 anos), eu criei um blog onde escrevia todo esse meu processo: a origem dos meus fetiches e possíveis gatilhos, passando pela infância, Freud e fase anal, autocuidados, como conheci pessoas e, principalmente, a descoberta de que o fetiche scat tinha muito mais adeptos do que eu imaginava.
A partir dos meus textos, milhares de pessoas começaram a entrar em contato comigo. Muitas delas nunca tinham conversado com ninguém sobre esse assunto. Outras nem sequer sabiam que existia um nome para aquilo que sentiam.
Foi quando eu percebi que eu não estava sozinho.
Ao longo de cinco anos, o meu blog, chamado Quero Scat, acumulou cerca de 4 milhões de visualizações… até ser censurado da internet.
Eu usava um pseudônimo chamado Gustavo Scat e, com o meu moletom amarelo e minha máscara de porco, me sentia a Hannah Montana do cocô: Gustavo Scat acabou se tornando mais famoso do que quem eu era na minha vida privada (olha o trocadilho).
Durante esse tempo, escrevi sobre praticamente tudo o que envolve o fetiche scat. Falei sobre a descoberta da sexualidade, possíveis origens desse desejo, culpa, vergonha, aceitação, experiências pessoais e também sobre o que aprendi estudando sexualidade humana.
Foi justamente escrevendo esses textos que percebi uma coisa curiosa: muita gente pesquisava o que é scat, o que é coprofilia ou simplesmente fetiche por cocô, mas quase não existia conteúdo tratando o assunto de forma séria e sem preconceitos.
A maioria das pessoas chegava até mim carregando medo, vergonha ou acreditando que eram as únicas no mundo a sentir esse tipo de desejo. Eu passei exatamente pelo mesmo processo.
Com a queda do blog, eu não queria perder todo aquele conteúdo. Então reuni os meus principais textos e transformei tudo em um livro.
Ali está praticamente toda a minha trajetória: desde a descoberta dos meus desejos, passando pela infância, relatos de experiências sexuais, a descoberta da minha bissexualidade, sessões de terapia e até uma entrevista exclusiva com uma atriz pornô especializada em scat.
FOTO DIVULGAÇÃO | Gustavo Scat e o seu livro "Quero Scat - O sexo com cocô, mijo e peidos".

É, sem dúvida, o trabalho mais completo que já produzi sobre o assunto e acabou se tornando um verdadeiro item de colecionador para quem gosta desse universo.
Ele também conta a história por trás do personagem Gustavo Scat e tudo o que aconteceu quando minha identidade foi revelada. Durante anos eu escolhi esconder o meu rosto. Até que um dia deixei de ter essa escolha. Fui exposto.
E foi justamente esse episódio que mudou completamente a minha vida. É no livro que conto, pela primeira vez e em detalhes, como tudo aconteceu e quais foram as consequências dessa exposição.
Se você chegou até este artigo porque queria entender o que é o fetiche scat, provavelmente vai encontrar no livro tudo o que você sempre quiz saber sobre o assunto.
Saiba mais sobre o livro "Quero Scat - O sexo com cocô, mijo e peidos" aqui.
